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Cotidiano

Internet se mostra alternativa essencial para manter vivo o hábito da leitura

No dia 23 de abril é comemorado o Dia Mundial do Livro. Em época de pandemia, a leitura vem se tornando forte aliada para quem quer ocupar o tempo livre durante a quarentena, sem abrir mão do conhecimento. Ainda assim, concorrentes de peso, como os smartphones e a própria internet, vêm ocupando posição de destaque nesse período de isolamento social. De acordo com a professora da Faculdade Anhanguera de Sertãozinho Mestre Léia Fernandes Perentelli, balancear o uso da internet com os livros é a melhor saída, principalmente com tantas opções para manter esse hábito vivo, seja por meio de e-books ou outras plataformas de leitura, como Kindle e tablets.

Segundo a edição mais recente da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, desenvolvida pelo Instituto Pró-Livro em 2016, 26% das pessoas que já ouviram falar em livros digitais leram conteúdos nesse formato. Esse número cresce para 34% entre os considerados leitores e 38% entre os que dizem gostar muito de ler no formato online. Além disso, o encantamento das crianças com os equipamentos tecnológicos, que vem desde os primeiros meses de vida, acaba criando um novo perfil de consumidores do entretenimento e também de novos leitores.

Para Léia, a internet não deve ser vista como vilã e sim como uma aliada no incentivo à leitura. “Quando usada de forma adequada, respeitando as indicações de tempo para cada idade, a internet é uma grande colaboradora para o crescimento do consumo de livros, oferecendo novos formatos e possibilidades. Por meio do ambiente online, temos acesso a um acervo muito maior de obras, inclusive gratuitas. Nesse caso, a internet não anula o livro, eles caminham juntos! De forma rápida e natural, a tecnologia está despertando o interesse e formando novos leitores”, afirma.

A leitura virtual, inclusive, pode ser uma aliada para mudar o cenário de livros lidos pelos brasileiros. Segundo a mesma pesquisa do Instituto Pró-Livro, a média de leitura do brasileiro é de 2,54 livros por ano. A pesquisa considerou como leitor pessoas que leram ao menos um livro, inteiro ou em partes, nos 3 meses anteriores. No total, apenas 56% dos entrevistados foram considerados leitores. Entre os motivos, pode-se destacar os mais de 11,5 milhões de analfabetos no Brasil, segundo senso do IBGE de 2017 . “Essa é uma realidade que causa preocupação. Porém, tudo isso pode ser mudado a partir do incentivo, sobretudo quando se trata de crianças em desenvolvimento e da própria conscientização dos adultos. Nesse cenário, as instituições de ensino apresentam papel importante, ainda mais quando existe o estímulo dentro de casa, por parte dos familiares”, destaca a professora.

Outro ponto importante é que a leitura pode ser o portal para conhecer outros mundos, o que inclui também novas culturas e pontos de vistas diferentes. Segundo Léia, o ato de ler ajuda no aprendizado e até na formação pessoal, intelectual e socioemocional dos indivíduos. “O aprendizado que alcançamos com a leitura, somado ao que adquirimos na escola, por exemplo, fomenta a criação de novas perspectivas. A leitura pode ser vista como um ato de criação, já que desenvolve competências fundamentais, como a escrita, a interpretação, a criatividade, raciocínio crítico e a empatia. Além disso, tem o poder de nos levar para outros lugares e nos tirar do tédio e da solidão, sentimentos que tendem a aumentar nesse período de isolamento. O mesmo vale para a arte e demais processos criativos”, complementa.

Para a especialista, a leitura deve ser transformada em hábito. “Desde a barriga da mãe, a leitura deve ser incentivada. Após o nascimento, isso deve se perpetuar. Mesmo que a criança ainda não saiba ler, o simples ato de segurar um livro acaba gerando curiosidade. Criar uma rotina de leitura é um fator importante, que deve fazer parte do dia a dia das pessoas, sobretudo pelo prazer que proporciona. E datas como o dia 23 de abril, Dia Mundial do Livro, estão aí para nos fazer esse lembrete”, enfatiza.

Leitura digital durante a quarentena

Para incentivar a leitura durante os dias de reclusão, a Amazon liberou centenas de títulos para download gratuito em seu site . Grandes clássicos brasileiros, como Dom Casmurro, de Machado de Assis, e Iracema, de José de Alencar, além de famosas histórias internacionais, como Hamlet, de Willian Shakespeare, podem ser baixados sem custo. Ótimo jeito de comemorar essa data!

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