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“A parceria entre público e privado na saúde fará a força”, por Giovanni Guido Cerri

Propostas do ICOS para até 2030 pretendem contribuir para que os serviços de saúde no Brasil se tornem mais eficientes e acessíveis

A pandemia provocou desacertos nos sistemas de saúde de todos os países, e o trabalho de reconstrução levará um tempo que não se pode estimar com precisão, mas que deve ser considerável. No Brasil, o SUS (Sistema Único de Saúde) e a rede privada desempenharam papéis notáveis, mas ambos se encontram na necessidade de se organizarem para enfrentar os desafios à frente – e mesmo pensar no que poderá ser o impacto de uma nova crise sanitária na escala da que ainda está em curso.

Apesar da saúde digital estar aos poucos se tornando o novo normal dos serviços de saúde, há problemas que há tempos vêm desafiando gestões públicas e empresas, desde bem antes dos avanços tecnológicos de hoje. O SUS, por exemplo, enfrenta problemas de sustentação financeira. O direito de todo brasileiro a serviços de saúde de qualidade tem aí um problema considerável a resolver, uma vez que orçamentos públicos são voláteis, sujeitos a diversos fatores que podem mudar sua configuração.

Na área privada – mas não só nela – há custos com que arcar. A pandemia fez com que tais custos subissem de maneira acentuada, e a inflação acaba por atingir mesmo áreas não diretamente ligadas à saúde, mas que acabam se avolumando e afetando esta também. Todos esses são problemas que desafiam a capacidade mesmo dos melhores gestores, mesmo dos profissionais mais experientes. E estamos perto de um novo mandato presidencial ter início – e este pode ser o momento de se pensar no setor de saúde com a centralidade que o tema ganhou.

O ICOS (Instituto Coalizão Saúde) apresentou recentemente um conjunto de propostas para contribuir com o trabalho de pensar a saúde no Brasil – que rumos poderia seguir, como poderia buscar mais eficiência, maior alcance e em como lidar com o custo dos sistemas. Não apenas para o quadriênio 2023-2026, mas até 2030 – em certa consonância com a agenda da ONU (Organização das Nações Unidas) e sua agenda de 17 pontos – as SDGs (Metas de Desenvolvimento Sustentável, na sigla em inglês) para, entre outras medidas, promover saúde e bem-estar, redução da pobreza e fornecimento de água limpa e saneamento básico.

Tanto o setor público como o privado, na saúde, teriam muito a ganhar com parcerias. Desde a gestão de equipamentos de saúde até a expansão e o desenvolvimento do setor industrial, de forma a tornar o Brasil mais independente em termos de insumos – desde os mais básicos, como equipamentos de segurança até os necessários para a produção de vacinas. A pandemia deixou dolorosamente claro o quanto teríamos a nos beneficiar de uma dependência menor de fornecedores externos em meio a uma corrida de todos os países por tais insumos.

Há que se pensar também no quanto se pode ajudar com uma mudança na política tributária para o setor. Menos impostos permitiriam ao setor privado ampliar seus investimentos – o que geraria não só serviços de melhor qualidade como mais empregos. Mesmo o acesso a planos de saúde poderia ser ampliado – hoje o país tem quase 50 milhões de beneficiários da saúde suplementar, o que foi uma grande ajuda para prestar auxílio a quem contraiu covid-19 nos momentos mais críticos.

E há o movimento de digitalização da saúde, do qual não se vê volta. Com a velocidade 5G da internet móvel no país, mais serviços podem ser agregados aos que são prestados à população, mais agilidade e segurança na transmissão de informações, melhor se torna a jornada para o paciente. São grandes os benefícios que parcerias entre os setores público e privado podem produzir nessa frente.

Mas isso precisa começar a ser elaborado e discutido o quanto antes. Reforçar a capacidade do Brasil de oferecer mais e melhores serviços a uma população com necessidades crescentes tem que entrar para a agenda, e isso vai requerer ideias, sugestões e estratégias pensadas por todos. Até 2030, com os esforços conjuntos, o Brasil pode vir a se tornar uma referência global.

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