Incorporação de tecnologia robótica resulta em novos investimentos e processos de capacitação médica

Com o aprimoramento das tecnologias voltadas para a Saúde, as intervenções cirúrgicas evoluíram dos procedimentos com grandes incisões para as cirurgias minimamente invasivas. De lá para cá, a era dos sistemas robóticos chegou com tudo na Saúde, trazendo eficiência para instituições, equipes médicas e, principalmente, para os pacientes.

Devido ao crescimento a utilização da tecnologia robótica nas cirurgias, o diretor do Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR), Gustavo Cardoso Guimarães, explica que essa evolução moderna precisa de atenção, uma vez que é extremamente singular e complexa. “A cultura de inovação, que abrange a robótica, passa pela necessidade de adaptação e sobrevivência aos novos tempos e gera mudanças na forma de atuação de diversas áreas. Ela vai desde a transformação dos processos e etapas de produção/relação com o cliente, treinamento e capacitação das equipes até a incorporação tecnológica”.

Focadas na atualização e adaptação a essa tecnologia robótica, as Instituições têm investido em equipamentos de alto padrão na Saúde. “Esse tipo de robô voltado para cirurgias é fabricado no exterior e tem seu preço em dólar. O custo de compra e instalação do modelo mais moderno gira em torno de 3 milhões de dólares. Apesar disso, desde a sua introdução no país, em 2008, até agora, já estamos com quase 70 unidades instaladas no país”.

Gustavo Cardoso Guimarães, diretor do Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR)

Além do investimento financeiro, os médicos e equipes de saúde precisam estar aptos a manejar a nova tecnologia e, para isso, precisam passar por realizar um processo de aprendizagem de longa duração. “Ainda há muita discussão sobre qual o melhor processo de capacitação dos médicos na cirurgia robótica. Entretanto, é imperativo que existam regras e métodos para garantir a qualidade do treinamento e da capacitação do profissional que irá realizar essa cirurgia, e, consequentemente, a segurança do paciente”.

A incorporação de novas tecnologias traz também o desafio da difusão do conhecimento. Há cada vez mais interesse pela técnica robótica e cada vez mais profissionais dedicados a ensiná-la. Já existem no mercado cursos de capacitação e pós-graduação, além de Institutos e Universidades se estruturando para ampliar esta oferta de treinamento. “É preciso garantir um treinamento eficiente, de qualidade, e capacitar o profissional que já atua no mercado e que, muitas vezes, tem pouco tempo e muitas atividades para se dedicar a um novo método, além dos custos envolvidos, claro, e também os jovens profissionais, o que poderia acontecer, por exemplo, durante a própria Residência Médica.

Humanização na robótica

Ao adentrar nesse mundo cada vez mais robotizado, a humanização se torna pauta recorrente de discussão na Saúde. Para Guimarães, o robô cirúrgico deve ser visto como um instrumento do cirurgião e não como um substituto ou um concorrente do humano.

“Como toda nova tecnologia, é preciso cuidado e segurança na sua indicação. Em todas as cirurgias em que o procedimento minimamente invasivo trouxer benefícios ao paciente, melhorando os resultados operatórios e pós-operatórios e aumentando a sua segurança, cada vez mais será utilizado por meio da plataforma cirúrgica robótica”.

Pensando na relação médico-paciente Guimarães afirma que esse tema merece especial atenção, já que o ato operatório é possivelmente uma das maiores demonstrações de confiança e entrega que pode ocorrer. “O paciente coloca a sua vida nas mãos da equipe médica e se submete a uma anestesia. Nesse momento ele não tem nenhuma capacidade de decisão ou interação com a equipe, está entregue totalmente”.

Dessa forma, o médico ressalta que essa relação precisa ser muito próxima, humanizada e de extrema confiança. “O robô não substitui o humano, ele se apresenta como aliado para ampliar a capacidade técnica do cirurgião e dar a ele mais habilidade e recursos para atuar e ajudar o seu paciente, atingindo maior grau de precisão de movimentos, mais segurança e menor trauma cirúrgico para o paciente”.

Sobre o futuro da relação médico-paciente-robô, Guimarães afirma que mesmo que alguns procedimentos sejam realizados totalmente por robôs, o controle e a supervisão sempre estarão nas mãos do cirurgião. Além disso, certamente, antes desses procedimentos serem incorporados na prática, eles serão testados e atestados como sendo os mais seguros para o paciente”.

Perspectivas do setor

Guimarães explica que a aplicação da cirurgia robótica tem avançado em grandes proporções ao longo dos anos. No contexto mundial, em 2018 foram mais de 1 milhão de cirurgias robóticas realizadas, com quase 5 mil robôs instalados, em um mercado de mais de 60 bilhões de dólares. “Já sabemos que este setor tende a crescer ainda mais pelo anúncio de gigantes da indústria, que devem em breve lançar suas plataformas cirúrgicas robóticas no mercado global”.

No Brasil, o diretor também prevê um crescimento notável na incorporação da tecnologia robótica. “O ano de 2018 fechou com mais de 9 mil procedimentos cirúrgicos robóticos realizados. A expectativa é que no final de 2019 sejam mais de 70 plataformas cirúrgicas robóticas implementadas (mais de 31 novos robôs em 2 anos) ”.

Esta matéria e muito mais você encontra na edição 60 da revista Healthcare Management.

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