A indústria de produtos para a saúde estagna, no primeiro semestre

Houve uma desaceleração no ritmo de crescimento do mercado brasileiro de produtos para a saúde no primeiro semestre de 2019. De acordo com o Boletim Econômico da Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde (ABIIS), o consumo aparente de dispositivos médicos, incluindo o segmento de Diagnóstico In Vitro, cresceu 0,9% no acumulado de janeiro a junho, comparado com o mesmo período do ano anterior. O primeiro trimestre já havia sinalizado para uma estagnação, quando registrou alta de apenas 0,5% em relação ao mesmo trimestre de 2018.

Nos seis primeiros meses do ano, as importações recuaram 3,6%, totalizando US$ 2,1 bilhões. A maior queda foi no consumo aparente (-7,5%) e nas importações de reagentes e equipamentos para diagnóstico in vitro (-14,1%). Já as exportações totais do setor, ainda no primeiro semestre, apresentaram queda de 4,6%, totalizando U$ 290 milhões. O déficit da balança comercial de dispositivos médicos ou produtos para a saúde é de US$ 1,8 bilhão, no mesmo período.

“A redução nas importações de reagentes e equipamentos para diagnóstico in vitro reflete uma ‘freada’ no ritmo de expansão da rede de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica, que aguarda a economia brasileira voltar a crescer e gerar empregos para ampliar a rede no ritmo visto nos últimos anos. Ainda assim, este segmento – grande consumidor de testes de diagnósticos para laboratório – continua investindo, mas agora com o maior foco na inovação e na internacionalização”, analisa o diretor-executivo da ABIIS, José Márcio Cerqueira Gomes.

Houve crescimento de 6,5% na produção doméstica. 2873 vagas de emprego foram abertas nas atividades industriais e comerciais do setor, totalizando o contingente de 141.813 trabalhadores. Este número é 2,1% maior do que o primeiro semestre de 2018. Segundo Gomes, “no setor de hospitais – outro grande cliente dos produtos representados pelas associações que compõem a ABIIS – os investimentos em fusões e aquisições com vistas à verticalização dos planos e o surgimento dos hospitais Premium arrefecem a retração do setor. O crescimento da produção doméstica é fruto da necessidade constante de reposição de materiais e suprimentos para os 338.121 estabelecimentos de saúde, sendo 7.425 novos”.

Na visão da Aliança, as perspectivas para o segundo semestre são boas. “Com a reforma da previdência aprovada e a tributária avançando, a economia vai voltar a crescer e o desemprego cair. Assim como a indústria de produtos para a saúde”, finaliza Gomes.

O Boletim ABIIS é desenvolvido pela Websetorial Consultoria Econômica.

Veja mais posts relacionados