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A saúde desperta para a Transformação Digital

"Para todos os pontos, parece que as empresas já estão caminhando e tentando agir em relação à transformação digital"

Recentemente, tive a oportunidade de participar do Midsize Enterprise Summit, importante evento nos EUA, com foco em líderes de TI e empresas de médio porte. Foi uma experiência incrível conversar com pessoas que estão no comando do futuro de suas companhias. Uma oportunidade para entender o que estão buscando e quais são as reais preocupações até o final de 2018.

No entanto, um dos pontos que mais me chamou atenção foi o número de profissionais procurando por antigas soluções para resolverem problemas que já foram solucionados inúmeras vezes. Deparei-me com a procura por soluções que foram criadas em 2007! Isso é preocupante. Mas também é um sinal de que estamos dentro de um ciclo evolutivo.

Ponto principal: Transformação Digital mais uma vez

Não é novidade que o setor financeiro é um dos mais maduros com a transformação digital. Alguns buscam melhorar a experiência do usuário; outros, a automação. O varejo também tem se movimentado bastante nesse sentido, com a maioria das grandes empresas buscando o aprimoramento do omnichannel. Porém, é difícil dizer qual será o próximo setor a focar na transformação digital. O certo é que os demais estão em situação semelhante: evoluindo!

A saúde acordou

O setor de saúde foi um dos que mais buscou por informações sobre transformação digital. Em conversa com líderes do segmento, identifiquei três pontos de preocupação:

  • Parar de desenvolver aplicações sem analisar previamente se é algo que o usuário final realmente precisa;

  • Gerar valor de negócios em TI por causa dos movimentos do concorrente;

  • Cuidar dos monstrinhos que a shadow-IT criou e que agora estão apresentando problemas;

Com isso, podemos notar que as lideranças têm uma preocupação em comum: envolver as áreas de negócios. A indagação é importante e já tardia.

Tenho discutido o tema com empresas financeiras há cerca de seis anos. E caímos sempre na mesma questão. Por exemplo: a área de negócios cria algo inovador, que ganha força dentro da organização. Mas como não têm a experiência necessária para suportar tecnicamente o novo produto, aciona-se a equipe de TI – “agora vocês têm que lidar com isso”. E o pesadelo começa.

Para todos os pontos, parece que as empresas já estão caminhando e tentando agir em relação à transformação digital.

Qual é o cenário?

Depois de compreender que o setor quer agregar valor também para a área de negócios, pensei sobre algumas questões e pesquisei sobre os problemas mais comuns na área da saúde, os quais podem ser resolvidos com tecnologia.

  • Assistência deficiente: se houver um paciente com deficiência motora, vamos ligar automaticamente para um Uber no final da consulta para levá-lo para casa;

  • Conhecimento do mercado: saiba o que os clientes estão pensando. Vamos monitorar as redes sociais com inteligência artificial e verificar se os pacientes estão satisfeitos depois de uma consulta;

  • Acessibilidade.1: muito papel é enviado para as pessoas quando elas precisam pagar pelos serviços de saúde ou quando elas apenas os usam. Vamos agrupar tudo isso digitalmente;

  • Acessibilidade.2: não há um único sistema em que o médico possa acessar todo o histórico de seus pacientes (doenças, sintomas e tratamentos). Isso força as pessoas a carregarem muito papel sempre que vão ao médico, mesmo em consultas de rotina;

  • Omni-experience: é o que conhecemos como omnichannel. E está chegando na saúde. Toda vez que o cliente entra em contato com a companhia, seja online ou offline, é preciso garantir que ele terá a melhor experiência possível. Todo ponto de contato é importante;

  • Saúde Tech: a conectividade com o médico traz agilidade no atendimento. Aqui a ideia é enviar ao médico as informações. Pressão arterial, peso e outras coisas podem ser verificadas remotamente. E isso significará uma enorme diferença para alguns pacientes.

O que hoje já é claro em algumas indústrias está começando a acontecer na saúde. Mas a questão principal é ter a vontade de resolver os mesmos problemas antigos, só que digitalmente.

*Artigo escrito por Guilherme Sesterheim, Head of Digital Transformation na ilegra, empresa global de negócios e tecnologia