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Welcome Saúde 2022 discute cenário político e econômico na Saúde

Especialistas debatem sobre os recursos do setor e a reforma tributária no Welcome Saúde 2022

O Welcome Saúde tradicionalmente ocupa o posto de primeiro evento do setor da saúde no ano e serve como o pontapé para as discussões que virão. Devido ao aumento dos casos da Covid-19, a edição de 2022 aconteceu de forma online e teve o tema “Perspectivas políticas e econômicas pós-pandemia”.

O evento aconteceu no dia 27 de fevereiro e reuniu grandes líderes do setor para palestras e debates sobre o cenário atual e o que podemos esperar do ano que se inicia.

Na abertura do Welcome Saúde 2022, Edmilson Jr. Caparelli, presidente do Grupo Mídia, falou sobre o evento acontecer de forma digital e a importância do mesmo. “Não posso deixar de ressaltar a abrangência desse evento, que pauta as dores, anseios e perspectivas para o desenvolvimento do setor ao lado das principais lideranças de diversos segmentos.”

A grade de conteúdo do Welcome Saúde se iniciou com uma palestra de Enio Jorge Salu, Sócio-Diretor da Escepti Consultoria e Treinamento e professor de graduação da Fundação Albert Einstein e da Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo.

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A explanação abordou o cerne do evento e teve o tema “Perspectivas políticas e econômicas pós-pandemia”. Salu iniciou sua apresentação falando sobre as pressões que os sistemas de financiamento público e privado da área da saúde.

“Existem três tipos de pressão: a mundial, nacional e do setor. O que está mais em pauta em cada área é o encrudescimento da vigilância ambiental na saúde; o apagão do Ministério da Saúde; e a mudança de perfil epidemiológico, respectivamente.”

Após analisar de forma detalhada cada cenário, Salu pontuou que os problemas mundiais, nacionais e setoriais podem representar um risco ou uma oportunidade, depende apenas de como cada empresa lida com a situação.

Dessa forma, o professor acredita que “as tendências envolvem perpetuar a rotina de mudanças de todos os modelos de remuneração e isso leva a uma necessidade profissionalizar o planejamento.”

Diálogos para uma agenda de políticas para a Saúde

O Welcome Energia 2022 seguiu com um debate com o tema “Diálogos para uma agenda de políticas para a Saúde”, que teve a participação de Carlos Alberto Pereira de Oliveira, diretor executivo do Projeto “Sífilis Não” e pesquisador do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LAIS/UFRN); e Denise Eloi, diretora executiva do Instituto Coalizão Saúde.

O debate também contou com a presença de Francisco Balestrin, presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Laboratórios e Demais Estabelecimentos de Saúde do Estado de São Paulo (SINDHOSP); e Leandro Figueira, vice-presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (ABRAMED). A moderação ficou a cargo de Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (ABIMO).

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Welcome Saúde 2022

Sobre a necessidade de criar uma agenda política na saúde no atual momento econômico do país em meio à pandemia, Francisco Balestrin acredita que essa é uma decisão extremamente complicada.

“Desde 2020, tivemos que nos unir e pudemos perceber a dependência que diversos setores tem um do outro. Nesses 23 meses, tivemos sempre um ambiente político inóspito, que repercutiu exatamente em todas as ações que o setor teve que realizar.”

E completa: “Além do nosso inimigo em comum, que é a Covid-19, tivemos outro elemento, que envolveu a disseminação de notícias falsas por meios oficiais, o número de ministros da saúde, negacionismo, entre outros pontos.”

À Denise Eloi, foi direcionado um questionamento sobre a dificuldade de criar uma agenda política para a atenção primária sendo que, segundo especialistas, é tão importante. “A atenção primaria ajuda a preencher vazios assistenciais que existem nas regiões carentes de recursos, mas sozinha não suporta todas as demandas de saúde da população, então é importante investir na atenção secundária e terciária também. Eu entendo que essas soluções isoladas só aumentam a fragmentação do sistema de saúde, então temos que aprimorar o modelo assistencial, a gestão, o financiamento e o desenvolvimento científico tecnológico, da indústria, a relação entre público e privado – enfim, propostas que realmente entreguem valor ao cidadão devem ser o foco dessa agenda. Então sim, priorizar essa discussão de atenção primária, mas junto com outras temáticas.”

Carlos Alberto Oliveira foi convidado a discorrer sobre o orçamento dado às instituições de saúde e considerar se uma agenda política exigiria mais recursos ou o oposto.

“A nossa agenda política não custa um tostão, ela custa mobilização! É impossível pensar que tenhamos poder, mas precisamos de uma bancada que defenda a saúde pública e privada. Precisamos de pessoas que entendam o setor como um negócio, pois representamos um dos maiores negócios desses país. Temos os maiores recursos investidos nessa área e é preciso que tenhamos um pedaço político na tomada de decisões no Congresso.”

Também sobre a quantidade de recursos depender de uma agenda política ou não, o VP da ABRAMED, Leandro Figueira, pontua que “nossa estratégia sempre vai passar por recursos limitados, mas precisamos de discutir os tópicos necessários e ter a liberdade de criarmos e propormos políticas de estado. Aí sim, mobilizando a sociedade para ter uma política correta de estado, a racionalização do recurso vai aparecer naturalmente e teremos um setor mais estável. O recurso sempre será finito, mas ele pode ser usado de forma estratégica, depende apenas de nossas proposições.”

Incorporações de Pesquisa no SUS

Em seguida, Ricardo Valentim, diretor executivo do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da UFRN, palestrou sobre o tema “Incorporações de Pesquisa no SUS”. O professor apontou para a importância de se ter o desenvolvimento da tecnologia a partir de uma visão transdisciplinar que envolve diversos segmentos do setor.

Welcome Saúde

“O incentivo às pesquisas dessa temática, por exemplo, é fundamental. O uso da ciência agrega valor e consegue ter impactos na vida cotidiana das pessoas. Elas extrapolam as áreas da saúde e que fazem interface com várias fronteiras do conhecimento.”

No entanto, o diretor explica que o Brasil carece de financiamentos para custear pesquisas no país, o que limita o desenvolvimento do setor como um todo.

“A ciência na Saúde é muito importante. Basta ver o grupo de pesquisa americano que trabalhou nas vacinas da Oxford. Eles não desenvolveram a vacina em dois anos. Eles já vinham trabalhando com a tecnologia e rapidamente conseguiram adaptá-la a questão do coronavírus.”

Outro ponto de destaque do professor foi a desmistificação de que a produção da tecnologia na Saúde é somente de responsabilidade de um segmento do setor. “A excelência na produção de novas tecnologias está onde tem conhecimento consolidado e grupos de pesquisa.”

Crescimento da Economia e seus reflexos na Saúde

Após a palestra, aconteceu o debate sobre o tema “Crescimento da Economia e seus reflexos na Saúde” com a participação de Paulo Brustolin, superintendente na Unimed do Brasil; Antonio Brito, diretor executivo da Anahp; Cesar Augusto de São Thiago, diretor vice-Presidente da Unimed Petrópolis; e Felipe Barreiro, VP da Medtronic. A moderação ficou por conta de Stevan Haddad, gerente de Operações da Planisa.

Perante o cenário de incertezas político e econômico no Setor Saúde causados pela pandemia da Covid-19, São Thiago afirmou que o SUS sofre com o subfinanciamento agravado pela política de teto de gastos que prevê que o orçamento do setor só pode ser ajustado pela inflação do ano anterior.

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“A população tem uma taxa de crescimento positivo e o valor per capita desse orçamento destinado a cada cidadão diminui com o passar dos anos. Então, torna-se um círculo difícil de se resolver na Saúde pública.”

Barreiro acredita que o caminho para o crescimento do setor é buscar uma equação que equilibre e traga a sustentabilidade para a Saúde. “Nada melhor e mais prudente do que realmente colocar o paciente no centro. Isso significa entender e mapear a jornada Perspectivada jornada do paciente como um todo.”

Já Brustolin, afirma que a melhoria do setor está nas reformas estruturantes do Brasil, que são muito debatidas, mas pouco aplicadas. “Acredito que é importante avançar na reforma tributária e também das áreas administrativas e políticas.”

O VP ainda complementa: “Acredito que nós temos o compromisso como brasileiros de auxiliar na gestão do SUS para que nós tenhamos a cada dia mais eficácia na eficácia na aplicação dos recursos públicos.”

Ainda sobre o cenário de crise da Saúde, Britto avalia que a Saúde deve se abrir para novas possibilidades e investir seus recursos em três pilares. “Com Covid-19 ou sem, precisamos pensar no financiamento do setor público, na gestão e integração dos setor público-privado, e na busca por fontes e formas diferentes para a sustentabilidade do setor de Saúde suplementar.”

Confira o Welcome Saúde 2022 na íntegra no link abaixo:

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