Clicky

Plataforma Healthcare Management. Ideias, Tendências, Líderes e Práticas - Healthcare Management

“Vítimas Politização do Ministério da Saúde na Pandemia”, por Enio Salu

Referências: Geografia Econômica da Saúde no Brasil e Jornada da Gestão em Saúde no Brasil

"Vítimas Politização do Ministério da Saúde na Pandemia", por Enio Salu 1

(*) todos os gráficos e ilustrações são partes integrantes do Estudo Geografia Econômica da Saúde no Brasil e do material didático dos cursos da Jornada da Gestão em Saúde e da Escepti

Se estiver esperando críticas ao candidato “destro ou canhoto” … à presidência, ou ao governo, ou ao senado, ou à câmara … não perca o seu tempo lendo … não é um texto político partidário ideológico … é um texto técnico !

Isso posto …

“Não encoste a mão no fogo que voce se queima” … “não suba aí que voce cai” … crescemos ouvindo nossos pais alertando para não fazer alguma coisa que pode causar dano … e aprendemos … ou porque escutamos, ou porque não escutamos e acabamos chorando depois.

Nossos pais não diziam isso para depois dizer “eu avisei … bem-feito” … queriam que a gente não se queimasse … não caísse … se tem uma coisa que eles não queriam é que o risco se transformasse em dano … a última coisa que gostariam é de ouvir o choro … a gente aprende com mais o menos emoção, de forma mais ou menos dolorida – é uma questão de escolha !

Desde que a pandemia começou sabíamos que se não houvesse coordenação técnica do ministério da saúde “queimaríamos a mão” … “cairíamos”:

  • A politização impediu esta coordenação técnica;
  • Mas vamos lembrar que o SUS não é federal – é um ente que abrange as esferas federal, estadual / distrital e municipal;
  • Se o ministério falhou e o resultado foi ruim, falharam governadores dos estados, prefeitos … e senadores e deputados que ficaram inertes deixando o barco navegar sem rumo … por isso o alerta lá em cima: a responsabilidade é de todos os que poderiam mudar o cenário … mitigar os danos.

E o gráfico é implacável … odioso:

  • É a taxa de óbitos por internação, ou seja, a proporção de pessoas como nós … diferentes apenas porque adoeceram, internaram em busca da cura … e já não estão mais entre nós;
  • Uma parte deles teria nos deixado com ou sem pandemia … é verdade;
  • Mas uma parte deles só nos deixou por conta desta politização do SUS por parte do Ministério da Saúde … que governadores, prefeitos, senadores e deputados não se dignaram a enfrentar como devia !

O SUS, antes desta politização absurda, estava trabalhando normalmente até 2019, com ações de prevenção e promoção da saúde, de modo a melhorar a saúde da população e assim diminuir o acesso dos pacientes nas internações em piores condições … com maior chance de cura:

  • Vemos isso claramente no gráfico entre os anos de 2016 até 2019;
  • Mas vemos claramente que a partir de 2020, início da pandemia, a taxa cresceu assustadoramente;
  • Percebemos que entre 2019 e 2021 o aumento da taxa de óbitos em internações foi de ~60 %;
  • Em 8 de agosto de 2021 (há ~10 meses) já projetava o problema (vide post) … como nossos pais, a previsão era certa, mas não gostaríamos que se tornasse realidade;
  • A realidade veio, e a queimadura … a queda … foi bem pior do que “não gostaríamos nem que acontecesse” … Deus sabe como seria bom se estivéssemos errados na previsão !

"Vítimas Politização do Ministério da Saúde na Pandemia", por Enio Salu 2

Este gráfico demonstra a evolução da taxa de óbitos entre outubro de 2019 (4 meses antes da pandemia) e dezembro de 2021:

  • É um aumento de ~129 % em menos de 2 anos e meio;
  • Algo absolutamente impensável para qualquer coisa que se intitule gestão da saúde pública !

"Vítimas Politização do Ministério da Saúde na Pandemia", por Enio Salu 3

É claro que “os destros” vão dizer que é por conta dos óbitos dos pacientes COVID-19:

  • Porque era uma doença nova … não existia vacina, nem tratamento adequado;
  • Isso é verdade … mas é “meia verdade” … menos verdade do que narrativa !

Primeiro porque o aumento da taxa de óbitos relacionada ao grupo 01 do CID é de ~58 % … e não de 129 % …

"Vítimas Politização do Ministério da Saúde na Pandemia", por Enio Salu 4

… e segundo porque mesmo nos CIDs relacionados às neoplasias e doenças do aparelho circulatório, que foram as menos atingidas pelo adiamento das internações (por questões óbvias) … houve aumento de taxa de óbitos !

Se não “caiu a ficha” … não vamos esquecer do primeiro gráfico lá em cima … quando não havia COVID-19, para as outras doenças estávamos tendo retração da taxa de óbitos !

Se ainda não caiu a ficha dos destros …

"Vítimas Politização do Ministério da Saúde na Pandemia", por Enio Salu 5

… basta olhar a taxa de óbitos de outros grupos CID … números não deixam margem à dúvida:

  • Por conta da falta de ação do SUS … em todos os âmbitos da administração pública … e sem ação efetiva de controle por parte do legislativo …
  • Os pacientes estão chegando para internar em piores condições …
  • Estão morrendo mais pessoas … inocentes … do que deveriam se não houvesse politização do SUS durante a pandemia !

E não adianta “os canhotos” tentarem se aproveitar do apagão do Ministério da Saúde para ganhar votos … não podemos esquecer disso nas próximas eleições …

"Vítimas Politização do Ministério da Saúde na Pandemia", por Enio Salu 6

… enquanto o Ministério da Saúde politiza o fim da emergência pública, faltam medicamentos tanto no âmbito federal, como no âmbito dos Estados, onde uma grande maioria de governadores responsáveis habita “o outro lado do Rio Jordão” ! …

"Vítimas Politização do Ministério da Saúde na Pandemia", por Enio Salu 7

.. e os números demonstram claramente que as taxas de óbitos cresceram em todas as UF’s:

  • Percebemos que a escala era de 2,4 % e 6,8 % em 2016, e passou para 3,9 % e 9,8 % em 2021;
  • Aí neste meio tem “ponta direita, centroavante e ponta esquerda” … e no senado, nas câmaras e assembleias legislativas que poderiam estar contrapondo o apagão de várias maneiras: também !
  • Nenhum “lobo vestido de carneirinho” pode driblar os números da mesma forma como vai fazer com boa parte dos eleitores não esclarecidos (infelizmente) !
  • Se algum disser o contrário na sua zona eleitoral … então porque os números ficaram assim em todas as UF’s ?

Com um cenário de ano eleitoral onde o julgamento de um deputado é mais importante do que a saúde da população, a previsão de fim do apagão no Ministério da Saúde continua a mesma:

  • Independente de quem ganhar as eleições;
  • Se for a posição, o realinhamento dos ministérios para desfazer os movimentos necessários para ganhar as eleições este ano vai demorar !
  • E se for a oposição, até que um novo time chegue e consiga “entender onde está” … também vai demorar !!

Nenhuma perspectiva de que a proporção de vítimas deste “cenário macabro” mude no curto prazo … vamos continuar “queimando a mão e caindo de cara no chão” !!!

Leia mais conteúdos escritor porEnio Salu:

 

Próximo Post

HCM | Edição 85

HealthARQ - Edição 38 - Bia Gadia

HealthARQ - Edição 38 - Lauro Miquelin

HealthARQ - Edição 38 - Daniel Mendez

Health-IT Prêmio '22

  ASSINE A NEWSLETTER

Assine as revistas do Grupo Mídia

Quer falar com o mercado da saúde?
Fale com a gente!

16 3913 – 9800

Assinaturas e circulação: assinatura@grupomidia.com
Atendimento ao leitor: atendimento@grupomidia.com
Redação: redacao@grupomidia.com
Comercial: comercial@grupomidia.com