Sobre democracia e saúde

Sei que este texto não vai agradar a muitos, mas democracia é isso, não é mesmo?

Recentemente, o ministro da saúde do Brasil esteve em um importante programa de TV, onde comentou em determinado momento que iria sugerir ao congresso que avaliasse alguma proposta de cobrança para alguns casos do SUS.

O comentário gerou enorme repercussão em redes sociais e jornais do país inteiro.

Sem entrar no mérito da questão, mas voltando à primeira linha do texto: em uma democracia todos têm o direito de opinar e de pensar como bem quiserem (desde que isso não violente os demais), até mesmo os mais idiotas.

Em uma empresa privada é cada vez mais comum o estímulo à diversas soluções para determinado problema. Reúnem-se todos os argumentos para que se chegue à uma solução coerente.

Mas em gestão pública isso não acontece. Qualquer manifestação é recebida e interpretada de maneira diferente conforme o posicionamento político de cada um. As discussões são baseadas em convicções e não em fatos.

É claro que a Constituição sempre deverá ser respeitada. Mas é sadio, e até mesmo prudente, que seja discutida (de maneira apartidária), pois a sociedade e suas necessidades evoluem. E evoluem cada vez mais rápido.

Há 150 anos a população brigava para poder se alimentar e chegar sadio à idade adulta. Agora a briga é outra. Lutamos para comer menos para ficarmos mais sadios. E isso em todas as idades.

Cobrar pelo acesso à saúde é cruel e extremamente questionável. Mas manter o sistema como está é diferente?

Devemos sim estimular o debate e o livre trânsito de ideias, em busca de soluções que melhor atendam às necessidades atuais da população.

Criticar apenas porquê não concordamos, sem se atentar aos fatos não é salutar.

Precisamos sim discutir sobre algumas diretrizes do SUS, sobre a participação do setor privado dentro do SUS, sobre a manutenção de dois sistemas paralelos e incomunicáveis (saúde pública x suplementar). Precisamos discutir financiamento de um sistema de saúde subfinanciado em um país que devora 42 % da renda de um trabalhador comum. Ou seja, precisamos sim discutir todos os pontos de vista.

Em saúde não há mais espaço para o “eu acho”, “eu ouvi”, “todo mundo faz assim”. Temos que separar o Fato da Opinião. O fato é que existem inúmeros gargalos que precisam sim ser debatidos e solucionados. E sem o livre trânsito de ideias (garantido em uma democracia) isso torna-se cada vez mais difícil.

 

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