A missão de fomentar a transparência e a inovação tecnológica na Saúde de Renato Garcia Carvalho, presidente da Abimed

Renato Garcia Carvalho, CEO da Philips Brasil, é o novo presidente do Conselho de Administração da Abimed (Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde) para o biênio 2018/2019, em substituição a Felipe Kietzmann.
A mudança decorre de uma regra do estatuto da Associação, segundo a qual somente podem pertencer ao Conselho de Administração representantes de empresas associadas da Abimed. Em entrevista para a Healthcare Management, o novo presidente da Abimed fala sobre como seu mandato atuará de forma
a fomentar a ética e transparência do setor, bem como promover a inovação e o valor da tecnologia médica para a produtividade da Saúde.

Quais serão os principais pilares de sua gestão frente à Abimed?
O trabalho desenvolvido pela Abimed é ancorado em promover a inovação e o valor da tecnologia médica como indutores da produtividade do sistema de saúde, ampliação do acesso da população à assistência e do desenvolvimento do país; contribuir com soluções para ampliar a sustentabilidade do sistema de saúde, além de fomentar a ética e a transparência como elementos fundamentais para esta sustentabilidade e
promoção de um ambiente de negócios saudável e favorável à inovação e competitividade.

BASTANTE ATRASADA EM RELAÇÃO À AUTOMAÇÃO E USO DE SISTEMAS INTELIGENTES. OUTROS SETORES, COMO O BANCÁRIO OU DA AVIAÇÃO COMERCIAL, MUDARAM A FORMA COMO INTERAGIMOS COM AS EMPRESAS.”

O trabalho da Abimed referente ao compliance e à transparência realmente tem sido muito intensificado. Como isso será trabalhado em seu mandato?
Compliance e transparência são prioridades da Associação e uma responsabilidade de toda a cadeia da saúde. Um dos principais papéis da Abimed, além de fomentar uma cultura ética, é atuar como facilitadora para que as empresas insiram a Ética e a Conformidade como parte de sua estratégia de negócios, adotando regras de transparência que contribuam para que o setor como um todo avance de maneira consistente. Por isso, nosso foco está voltado prioritariamente para a educação preventiva dos associados. Internamente, vamos fortalecer a Governança Corporativa e os processos da Associação para ampliar sua representatividade e o engajamento dos associados.

Promover a inovação também é uma bandeira muito defendida pela Abimed. Na sua opinião, quais os impactos da Industria 4.0 na saúde?
Os impactos estão intimamente ligados a ganhos de produtividade nunca vistos antes no setor. No entanto, a Saúde ainda está bastante atrasada em relação à automação e uso de sistemas inteligentes. Outros setores, como o bancário ou da aviação comercial, mudaram a forma como interagimos com as empresas. Na Saúde, poucos hospitais possuem fácil acesso ao histórico de seus pacientes. Também é comum pedirem aos pacientes a confirmação de informações médicas três ou quatro vezes em um único ciclo de
atendimento hospitalar. Na fase 4.0, os ganhos de produtividade já são uma realidade. Estão presentes em sistemas conectados que facilitam a tomada de decisão e reduzem as filas de atendimento; em serviços de manutenção a distância; em alertas médicos na monitoração de pacientes e na facilidade de troca de informações, por exemplo.

E quais são os desafios da indústria 4.0 no país?
São vários os desafios à inovação no Brasil e, consequentemente, à presença mais concreta da indústria 4.0 no país. A instabilidade do cenário político e econômico, por exemplo, gera insegurança para a realização de investimentos em inovação. A existência de leis trabalhistas antigas, bem como a dificuldade no combate à pirataria são exemplos de desafios que limitam novos projetos nesse campo. Além disso, quando excluímos o custo Brasil da equação, há também desafios globais em relação à indústria 4.0. Alguns exemplos estão relacionados à segurança da informação, à escassez de profissionais experientes e capacitados na implementação dessas tecnologias, e à limitada conectividade de equipamentos e sistemas.

Como o Sr. avalia os processos de regulamentação que não andam na mesma velocidade que as inovações tecnológicas que chegam ao mercado?
Esse é um desafio que acompanha a humanidade em todos os grandes ciclos de inovações da história e não um desafio particular ao Brasil, embora acentuado em nosso país. Mas o lado positivo é que estamos cada vez mais organizados na indústria para trabalharmos em conjunto com o governo e suas agências.
A Saúde é uma prioridade para o país e há abertura para o diálogo. As PPPs, por exemplo, já são uma realidade no setor e contribuem para que tecnologias de ponta cheguem cada vez mais rápido à população brasileira como um todo.

Como a indústria pode auxiliar os profissionais de saúde a sanar os problemas de User Experience relacionados aos novos devices que chegam ao mercado?
A indústria de soluções médicas tem desenvolvido equipamentos e softwares cada vez mais “user
friendly”. Os desenvolvimentos em outros setores são rapidamente incorporados também no campo da Saúde. Alguns dos equipamentos hospitalares de alta tecnologia já podem ser manuseados dentro de uma experiência similar ao uso de um smartphone. Mas também vejo que há uma lacuna a ser preenchida em relação à formação e capacitação de profissionais especializados no Brasil. A indústria pode contribuir bastante nesse campo, dando acesso à tecnologia de ponta a esses profissionais. E, por consequência, esses especialistas ensinarão profissionais de saúde a tirarem o máximo proveito das novas tecnologias.

Como a Abimed vê a movimentação dos hospitais em busca de Transformação Digital? A indústria está pronta para atender essa demanda?
A busca dos hospitais pela Transformação Digital é essencial para a melhoria do sistema e ampliação do acesso da população às novas tecnologias. A transformação digital garantirá maior agilidade na prestação de cuidados, menos erros, maior precisão diagnóstica e redução de custos para o sistema. Os hospitais que saírem na dianteira desse processo terão maior competitividade e probabilidade de protagonismo
no setor. No entanto, ainda são poucas as instituições totalmente digitais no país. Se tomarmos como referência a certificação HIMSS, temos no Brasil cerca de 25 hospitais no topo do processo de digitalização, níveis 6 e 7. Nos EUA já são mais de 2 mil instituições. Há um alto potencial para essa transformação no Brasil e a indústria está pronta para atender essa demanda, com soluções locais e globais. Hoje, a indústria brasileira já exporta talentos e soluções para todo o mundo nessa área.

Esta matéria foi publicada na 53ª Revista HealthCare Management.

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