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Pesquisador Regis Goulart explica as novas frentes da OMS no combate a Long Covid

Médico intensivista do Hospital Moinhos de Vento apresenta agenda de prioridades de pesquisa da Organização Mundial da Saúde para a caracterização e manejo da doença

 

Com a pandemia da Covid-19, pesquisadores e cientistas do mundo inteiro se dedicaram em encontrar uma arma eficiente no combate ao novo coronavírus. Em tempo recorde, vacinas foram produzidas em alianças com laboratórios, universidades e farmacêuticas.

Outro objeto de estudo do campo médico-científico também se dedica em analisar os sintomas e sequelas que essa doença vem causando.

Pesquisas evidenciam que as sequelas podem ter impacto a longo prazo, e consequências ainda desconhecidas. Justamente diante desse impacto de longo prazo da Covid-19 na saúde das pessoas acometidas pela doença que surgiu o termo Long Covid.

“O termo engloba sintomas persistentes e também manifestações novas associadas à infecção causada pelo SARS-CoV-2, tais como fadiga, cansaço, fraqueza muscular, falta de ar, tosse, dificuldade de concentração e memória, insônia, perda de cabelo, ansiedade e depressão”, explica o médico intensivista Regis Goulart Rosa, pesquisador do Hospital Moinhos de Vento (RS).

O pesquisador foi o porta-voz do Grupo de Trabalho de pesquisa em caracterização e manejo da Covid-19 da Organização Mundial da Saúde (OMS) durante o Fórum Global de Pesquisa e Inovação da Covid-19.

Long Covid

A OMS definiu recentemente como prioridade a uniformização da definição de Long Covid para facilitar o reconhecimento e o estudo das novas condições da doença. “Como os sintomas são heterogêneos e múltiplos, o uso de uma definição comum facilitaria a assistência e a pesquisa no tópico”, explica o pesquisador Rosa.

Foram definidas três grandes prioridades para o enfrentamento da Long Covid pela OMS: reconhecimento, reabilitação e pesquisa.

“Para que possamos tratar e reabilitar adequadamente os pacientes, primeiramente, é fundamental conhecer o inimigo. Pesquisas a respeito das manifestações, história natural, fatores de risco, prognóstico, tratamento e reabilitação são essenciais”, ressalta o pesquisador.

Pesquisador Regis Goulart explica as novas frentes da OMS no combate a Long Covid

A partir desse conhecimento, faz-se necessária a criação de políticas de saúde custo-efetivas voltadas para o rastreamento e alocação de recursos para reabilitação de acordo com as necessidades dos pacientes, familiares e sistemas de saúde.

Exemplo disso é investir em uma abordagem de reabilitação interdisciplinar — envolvendo medicina, enfermagem, psicologia, nutrição, fisioterapia, terapia ocupacional, entre outras áreas. Como resultado teremos uma recuperação mais rápida e consistente das pessoas acometidas pela Long Covid.

Rosa apresentou também durante o Fórum questões sobre os efeitos em longo prazo das vacinas em uso. “Além da sustentabilidade da defesa imunológica, faz-se necessário a avaliação do impacto da vacinação em desfechos relacionados a Covid-19 que sejam relevantes sob a perspectiva de pacientes e seus familiares em longo prazo, tais como aqueles sintomas associados com a Long Covid.”

A partir do momento em que a contenção da disseminação da Covid-19 começa a se tornar uma realidade para muitos países, é natural que o foco se volte para as consequências de longo prazo na saúde física, mental, social e qualidade de vida das pessoas acometidas.

“Por isso o reconhecimento e a reabilitação de sequelas são tão essenciais, uma vez que estima-se que uma considerável proporção de pessoas infectadas pelo SARS-CoV-2 pode desenvolver a Long Covid.”

 

A Educação no combate à Covid-19

O pesquisador apresentou ainda a educação como um importante fator para melhorar tanto a saúde e a qualidade de vida das pessoas acometidas pela Long Covid, como para ajudar a conter a pandemia no Brasil.

“Especificamente em relação à Long Covid, a educação pode facilitar o acesso a terapias eficazes e reabilitação de pessoas acometidas por sequelas físicas, cognitivas ou de saúde mental, as quais são tipicamente subdiagnosticadas, duradouras e associadas a um importante impacto em qualidade de vida.”

 

O pesquisador do Hospital Moinhos de Vento ressalta que da mesma forma que estamos vivenciando uma pandemia de uma doença viral grave, também estamos enfrentando uma pandemia de sequelas físicas, cognitivas e de saúde mental.

“Para podermos impactar positivamente na vida de muitos brasileiros, devemos nos engajar nas prioridades definidas pela OMS em relação à Long Covid: reconhecimento, reabilitação e pesquisa.”

 

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