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O que queremos com a Inteligência Artificial e como ela tem beneficiado o setor na prática?

Os benefícios da Inteligência Artificial no Setor da Saúde já podem ser observados em diversas instituições

Uma das grandes promessas para melhorar a prestação de atenção à saúde é a inteligência artificial.

Em muitos países, a IA já está sendo usada para melhorar a velocidade e a precisão do diagnóstico e da triagem de doenças; para auxiliar no atendimento clínico; fortalecer a pesquisa em saúde e o desenvolvimento de medicamentos; e apoiar diversas intervenções de saúde pública, como vigilância de doenças, resposta a surtos e gestão de sistemas de saúde.

Mas, conforme pontuado pelo relatório Ethics and governance of artificial intelligence for health da organização Mundial de Saúde (OMS), é necessário colocar a ética e os direitos humanos no centro de desenho, implantação e uso da IA.

“Como toda nova tecnologia, a IA possui um enorme potencial para melhorar a saúde de milhões de pessoas em todo o mundo, mas como toda tecnologia, também pode ser mal utilizada e causar danos”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

Guilherme Rabello, do InovaIncor, critica aqueles que acreditam que a IA veio para repor ou até mesmo solucionar os problemas que não conseguimos resolver entre a gente mesmo.

“Isso não é uma visão adequada porque a inteligência artificial ainda está em seus primórdios, se é assim que poderíamos dizer. Está em seus primórdios em âmbito mundial. Há uma diferença entre você ter uma tecnologia avançada e ter uma tecnologia aplicada a soluções que estão em desenvolvimento, são coisas diferentes.”

Para Rabello, a IA está sendo aplicada, hoje, basicamente em processos que são de automação, de repetição.

“Em um exame de imagem, por exemplo, podemos ver se o paciente tem ou não um exame saudável. A inteligência artificial compara imagens saudáveis e não saudáveis e identifica quando há suspeita de tumor. Então, a IA está fazendo um processo repetitivo de comparação. Esse é o primeiro estágio que vemos das aplicações do mercado, tanto no setor público como no privado.”

Valdir ventura, presidente e CEO do Grupo São Cristóvão, acredita que a tecnologia irá reescrever a história da humanidade, porém ela só irá revolucionar se tiver um propósito.

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Valdir Ventura, CEO do Grupo São Cristóvão Saúde

“Sem propósito, não alcançamos resultados. Por exemplo, estamos trabalhando com IA, porém nos perguntamos, o que queremos com ela? Como ela irá beneficiar a todos que trabalham no São Cristóvão Saúde? É assim que faremos a diferença entre as instituições que fazem a transformação digital real, comparados com aquelas que implementam apenas para seguir os padrões de mercado.”

Renato Carvalho, presidente da Novartis, ressalta que um ponto de destaque para alavancar o uso de IA no Brasil seria endereçar as muitas dúvidas sobre qual a melhor forma de incorporar IA no mercado.

“Especialmente, no que se refere ao planejamento, governança e métodos de financiamento e investimento em profissionais aptos a utilizar IA.”

6 princípios para garantir que a IA funcione para o interesse público em todos os países

Para limitar os riscos e maximizar as oportunidades intrínsecas ao uso da IA para a saúde, a OMS fornece os seguintes princípios como base para a regulamentação e governança:

  • Proteger a autonomia humana: no contexto da atenção à saúde, isso significa que os seres humanos devem permanecer no controle dos sistemas de saúde e das decisões médicas; privacidade e confidencialidade devem ser protegidas e os pacientes devem dar consentimento informado válido por meio de estruturas legais apropriadas para proteção de dados.
  • Promover o bem-estar e a segurança humana e o interesse público: Os projetistas de tecnologias de inteligência artificial devem atender aos requisitos regulamentares de segurança, precisão e eficácia para casos de uso ou indicações bem definidos. Devem estar disponíveis medidas de controle de qualidade na prática e melhoria da qualidade no uso de IA.
  • Garantindo transparência, explicabilidade e inteligibilidade: A transparência requer que informações suficientes sejam publicadas ou documentadas antes do projeto ou implantação de uma tecnologia de inteligência artificial. Essas informações devem ser facilmente acessíveis e facilitar a consulta pública significativa e o debate sobre como a tecnologia é projetada e como deve ou não ser usada.
  • Promovendo responsabilidade e prestação de contas: Embora as tecnologias de inteligência artificial executem tarefas específicas, é responsabilidade das partes interessadas garantir que sejam usadas nas condições apropriadas e por pessoas devidamente capacitadas. Mecanismos eficazes devem estar disponíveis para questionamento e reparação de indivíduos e grupos que são adversamente afetados por decisões baseadas em algoritmos.
  • Garantir inclusão e equidade: A inclusão requer que a inteligência artificial para a saúde seja projetada para encorajar o uso e acesso equitativos mais amplos possíveis, independentemente de idade, sexo, gênero, renda, raça, etnia, orientação sexual, capacidade ou outras características protegidas por códigos de direitos humanos.
  • Promover inteligência artificial que seja responsiva e sustentável: Designers, desenvolvedores e usuários devem avaliar de forma contínua e transparente os aplicativos de IA durante o uso real para determinar se esta responde de forma adequada e apropriada às expectativas e requisitos. Os sistemas também devem ser projetados para minimizar suas consequências ambientais e aumentar a eficiência energética. Governos e empresas devem abordar as interrupções previstas no local de trabalho, incluindo capacitação para profissionais de saúde para se adaptarem ao uso de sistemas de inteligência artificial e possíveis perdas de empregos devido ao uso de sistemas automatizados.

IA na indústria farmacêutica

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Renato Carvalho, presidente da Novartis

Para o presidente da Novartis, o engajamento hiper personalizado é a principal tendência relacionada à aplicação de IA na saúde, “que foi acelerada durante a pandemia, e vai continuar a liderar transformações na indústria farmacêutica nos próximos anos”.

Outra tendência importante pontuada por Carvalho é o Digital Therapeutics, que são intervenções terapêuticas orientadas por software para prevenir, gerenciar ou tratar um distúrbio ou doença médica.

“Em digital health, as questões de data privacy vão continuar sendo importantes com o surgimento de um número cada vez maior de aplicativos e wearables para o monitoramento da saúde associados a AI (machine learning and deep learning)”, afirma.

Globalmente, a Novartis criou o AI Inovation Lab para capacitar seus colaborados a usar IA em toda a empresa. Além disso, a farmacêutica firmou uma parceria importante com a Microsoft para alavancar o uso de dados e IA e transformar a forma como os medicamentos são descobertos, desenvolvidos e comercializados.

Outro exemplo ressaltado por Carvalho é a Expert Connection, plataforma que utiliza IA para apoiar dermatologistas de todo o Brasil no diagnóstico de Psoríase. Este programa promove uma anamnese guiada, respondendo a perguntas-chave que contribuem para o diagnóstico.

Além disso, também conecta médicos a outros dermatologistas referência no assunto e ajuda no preenchimento automático de formulários de acesso a tratamentos via ANS ou SUS.

IA na prática

No Grupo São Cristóvão Saúde (GSCS), a Inteligência Artificial é um braço importante que, juntamente com equipamentos para automação, IoT, Analytics, proporciona a análise, em tempo real, de dados provenientes de diversas áreas, de forma centralizada, saneada e unificada.

“Com estas tecnologias, é possível organizar a informação para auxiliar na compreensão dos cenários administrativos, modelos preditivos e direcionamento estratégico do Grupo para tomada de decisões, fazendo disso um dos grandes diferenciais para a Instituição”, diz Valdir Ventura, presidente de CEO do Grupo.

De acordo com Patrícia Hatae, gerente de TI do GSCS, a Instituição está em processo de implantação do sistema Projuris, sistema para Automatização fluxo de recebimento de reclamações junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

A ferramenta usa inteligência artificial ProJuris para a normalização das informações para auto cadastro; identificação de pedido de liminar; definição da causa raiz com base na leitura e interpretação da petição inicial (mínimo 1.000 casos para treinamento do robô com documentos já classificados de cada causa raiz).

IA para segurança de dados

No InCor, a inteligência artificial confere maior precisão nos diagnósticos e tratamentos médicos, além de maior segurança aos pacientes.

O resultado esperado é a otimização do tempo dos profissionais, a diminuição do uso de papel e a geração de informações mais precisas, abrindo espaço para que as equipes de saúde atuem com foco ainda maior na humanização do atendimento.

Dentre os vários projetos em estruturação, uma solução inédita no âmbito da saúde em nível mundial torna anônimos os dados pessoais de exames diagnósticos por imagens e de sinais biomédicos.

São considerados dados pessoais, todas as informações pelas quais é possível identificar o paciente, tais como nome, idade, data de nascimento, dentre outras.

Esses dados são inseridos nos exames de imagens e de sinais biomédicos no formato de marca d´água e são essenciais para garantir a segurança do paciente.

Embora a importância de sua proteção, uma vez que essas informações não podem ser compartilhadas com terceiros sem o prévio consentimento do paciente, não havia até o momento no mundo uma ferramenta eficaz de anonimização automatizada desse conteúdo.

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Guilherme Rabello, gerente Comercial e de Inteligência de Mercado do InovaInCor

Uma das dificuldades para que isso aconteça é a falta de padrão no local onde ficam armazenados esses dados e também o formato de exibição em cada imagem, que variam significativamente conforme o fabricante do equipamento de diagnóstico e o tipo de exame realizado.

A nova solução concebida pelo Laboratório de Informática Biomédica do InCor, liderado pelo engenheiro Marco Antonio Gutierrez, conseguiu vencer essa barreira. Com base em inteligência artificial, a equipe utilizou métodos de aprendizagem profunda (deep learning) que resultaram na anonimização desses dados pessoais nos exames de imagens médicas e de sinais biomédicos

Segundo Gutierrez, ao garantir que não haja a identificação das informações com o paciente ao qual elas se referem, a tecnologia desenvolvida pela parceria InCor-Intel abre caminho para o processamento de grandes volumes de dados de exames em pesquisas científicas de novos diagnósticos e tratamentos. “É uma perspectiva de avanço bastante promissora”.

“Quando falamos de inovação, naturalmente as pessoas a vinculam com novas tecnologias, produtos disruptivos, mas a gente percebe que ela só é realmente efetiva quando você transforma a vida das pessoas, sobretudo, por meio da educação e conscientização, tanto para o paciente quanto para o profissional que precisa utilizar as novas ferramentas digitais”, diz Guilherme Rabello, gerente Comercial e de Inteligência de Mercado do InovaInCor.

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