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Healthcare TALKS debate sobre o protagonismo da medicina diagnóstica nos tempos atuais

Aconteceu no dia 29 de abril mais um webinário do Healthcare TALKS, dessa vez com o tema sobre “O protagonismo da medicina diagnóstica nos tempos atuais”. Os executivos convidados para o debate foram Adriano Caldas, General Manager da Guerbet; Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed); Carlos Gouvêa, presidente-executivo da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL); e Claudia Cohn, CEO do Alta Diagnóstica. A mesa foi moderada por Carla de Paula Barbosa Correa, diretora editorial do Grupo Mídia.

Claudia Cohn abriu o diálogo falando sobre o prenúncio do setor e as dificuldades impostas pela Covid-19. “Nenhuma empresa estava preparada para a pandemia do novo coronavírus. O pioneirismo do diagnóstico no dia a dia permitiu rapidez para que, assim, fosse feita a testagem em massa.”

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Claudia Cohn, CEO do Alta Diagnóstica

Além disso, Claudia lembrou que o atual momento forçou a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) a liberar testes que, na pré-pandemia, estavam fora do Rol. “Agora, estamos considerando a função diagnóstica como um todo e não apenas na pré testagem. Assim, muitos exames que são pedidos dentro dos hospitais passaram a estar no Rol da ANS.”

Wilson Shcolnik, da Abramed, levantou a questão do espírito colaborativo atual entre os players.

“Sem a indústria fornecedoras de kits e materiais para os exames de Covid-19 nada seria possível.”

Carlos Gouvêa, da CBDL, reforçou a colaboração entre as diferentes entidades e atores como fator essencial para enfrentar a atual crise sanitária tanto no setor público, como no privado. Um consórcio formado rapidamente pela Sociedade de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), de Análises Clínicas (SBAC), da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) e CBDL, organizou uma rede de 13 laboratórios públicos e privados que puderam dar ao mercado uma ideia de performance da vida real – com amostras de pacientes brasileiros – para os produtos que estavam sendo lançados.

Assim, o Programa de Avaliação de Kits de Coronavírus , exerceu um papel especial ao dar informações aos compradores de tais produtos, aos próprios fabricantes (para um processo de melhoria contínua) e até mesmo à Anvisa, como dados de vigilância pós-mercado.

Diante desse contexto, Gouvêa destaca a Anvisa que, em março de 2020, aceitou o desafio de revisar a legislação permitindo seu aprimoramento através da RDC 348. A resolução define justamente os critérios e procedimentos extraordinários para tratamento de petições de registro de medicamentos, produtos biológicos e para diagnóstico in vitro e mudança pós-registro de medicamentos e produtos biológicos.

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Adriano Caldas, General Manager da Guerbet

“O Brasil percebeu que precisaria agir rápido e, assim, criou-se uma série de regras que permitiram o acesso, mesmo que de forma temporária, aos novos produtos desenvolvidos. Esse procedimento que levava de três a quatro anos, entre desenvolvimento e lançamento do produto no mercado, agora é de três a quatro meses”, explica Gouvêa.

Além do pioneirismo e a urgência, Adriano Caldas, da Guerbet, lembrou do impacto da tecnologia no setor de Medicina Diagnóstica.

“Temos as melhores tecnologias que oferecem assertividade no diagnóstico, com maior qualidade de imagem. Mas como a tecnologia pode ajudar além do produto, do teste, do exame e do equipamento? É nesse contexto que temos que investir na tecnologia de informação, para termos o uso eficiente de dados do setor. Esses dados devem estar integrados para ambos setores (público e privado), com toda a história clínica do paciente.”

Entre desperdícios e mitos

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Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed

Outra questão dialogada durante o Healthcare TALKS foi o desperdício no setor de diagnóstico. Segundo Shcolnik, existe o mito de que muitos resultados de exames não são retirados nos laboratórios e clínicas pelos pacientes. “Apenas 5.4% dos exames não são acessados. Hoje, os pacientes recebem os resultados pelo celular, ou pelo site do laboratório. Por isso que a retirada de exames não nos traz uma informação importante.”

A Abramed monitorou a redução no número de exames em 2020 que, segundo Shcolnik, decorreu por motivos como receio dos pacientes em comparecer nos estabelecimentos de saúde por causa da pandemia.

A pesquisa indicou que houve uma redução de exames de hemoglobina glicada de 32.5%, exame de extrema importância para monitorar o tratamento de diabetes. Exames de mamografia também reduziu em 46% e de Papa Nicolau para quase 50%.

“Essa redução no diagnóstico irá trazer não apenas consequências na saúde das pessoas, mas também reflexos econômicos para o sistema.”

“Vivenciamos situações que os mitos são difundidos até mesmo por autoridades. Já tivemos Ministro da Saúde afirmando que existia um overuse de exames, o que na verdade há uma subutilização”, ressaltou Gouvêa.

A renumeração baseada na quantidade e não no desfecho clínico também foi levantada.

“Nosso sistema ainda valoriza o médico que faz mais cirurgias, mais consultas. Mas estamos mudando porque percebemos que essa equação não funciona”, salientou Claudia Cohn.

Divergência

Outro tema debatido durante o Healthcare TALKS foi sobre a antiga demanda do setor em solicitar a atualização da Anvisa quanto à Resolução 302/2005, que trata do Regulamento Técnico para funcionamento de Laboratórios Clínicos.

Paralelo a isso, corre também as discussões sobre a Consulta Pública 911 e 912 sobre a realização de exames laboratoriais em quaisquer serviços de saúde, o que traz algumas divergências entre as entidades representativas.

Para Wilson Shcolnik, a rápida evolução da tecnologia proporcionou ferramentas, hoje, essenciais para o controle da pandemia, como testes rápidos.

“Temos que usar essa oportunidade de modo que a segurança do paciente não seja ameaçada. Os recursos tecnológicos precisam ser validados e usados por pessoas capacitadas, treinadas, de modo que os resultados possam ser confiáveis. O resultado errado pode levar a decisões médicas com consequências perigosas.”

A Abramed, segundo o presidente da entidade, defende que os exames possam ser realizados em lugares específicos. “Existem testes de diagnósticos laboratoriais de diferentes complexidades, e os testes de média e alta complexidade devem ser restritos aos laboratórios clínicos.”

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Carlos Gouvêa, presidente-executivo da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL)

Já Carlos Gouvêa, representando a CBDL, trouxe outra visão para o debate. “O atual momento fez com que o mercado lidasse com demandas até então não previstas. O point of care é uma realidade, com vários aperfeiçoamentos e inovações, seja um teste rápido ou um equipamento.”

Gouvêa, ressaltou que há mais de seis mil hospitais e 18 mil laboratórios preparados para trabalhar com o teste para Covid-19, mas, mesmo assim, muitos brasileiros não conseguiram ser testados no momento certo.

“A RDC 377 trouxe a possibilidade de as farmácias realizarem os testes. Isso foi um exemplo de grande sucesso. Segundo a Abrafarma (Associação Brasileira Redes Farmácias Drogaria), cerca de seis milhões de testes foram feitos em quatro mil farmácias em todo o país. Isso traz informações para que possamos saber como está o mapa epidemiológico da pandemia no país.”

Assista ao Healthcare TALKS sobre “O protagonismo da medicina diagnóstica nos tempos atuais” na íntegra:

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