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“‘Health techs’: um mundo de investimentos e soluções”, por Ricardo Brito, do Grupo Bioscience

“‘Health techs’: um mundo de investimentos e soluções”, por Ricardo Brito, do Grupo Bioscience

Vivemos uma época onde as transformações permeiam todas as áreas de conhecimento humano, graças a capacidade de inovar e aprimorar métodos, produtos e serviços em um curtíssimo período. A área da saúde, mesmo com seus desafios regulatórios e complexidades comprobatórias de eficácia, não fica para trás nessa corrida.

O mercado de ‘health techs’ sem dúvida, é um dos mais promissores neste vasto ecossistema de inovação, empregando mais de 10 mil funcionários somente no Brasil. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), os gastos da saúde no mundo representam 10% do PIB (Produto Interno Bruto) e, no Brasil, 9,2% do PIB, perfazendo R$ 608 Bi, em 2017, segundo dados do IBGE. Pasmem: nos últimos dois anos as ‘health techs’ tiveram um crescimento real de 118%, de 248 para 542 ‘startups’. Não há como duvidar que o mundo das ‘startups’ de saúde irá crescer exponencialmente nos próximos anos.

O que há por trás dessa tendência impressionante das ‘health techs’? A resposta para essa pergunta é muito mais profunda do que apenas a busca por lucro ou retorno monetário. Por necessidade ou filosofia, buscamos coletivamente entregar um mundo melhor para as próximas gerações.

Passamos a nos preocupar com questões complexas de saúde, como acessibilidade, gerenciamento de risco, diminuição de custos, cuidados preditivos, preventivos, personalizados e participativos.

Estamos nos atentando para a eficiência dos serviços e produtos, trabalhos cooperativos, qualidade real, sustentabilidade ambiental e o impacto positivo que a inovação destes fatores pode trazer para as 8 bilhões de pessoas que vivem em nosso planeta.

E por falar em trabalho cooperativo, essa é uma das características marcantes das ‘health techs’. Facilmente reconhecidas pela flexibilidade e velocidade de desenvolvimento, as ‘startups’ da área da saúde estão trabalhando em conjunto com empresas consolidadas no mercado, propondo uma profunda mudança no modelo de inovação, até então, dominante.

Como unidades satélites independentes, elas ajudam as empresas a vencer a dificuldade do acesso às novas tecnologias, o alto custo interno para inovação e a demora para transformação da ideia em produto ou serviço para o mercado. Velocidade, altíssima produtividade com escalabilidade, tornarão as mudanças dos processos administrativos e produtivos da indústria da saúde, mais acessíveis.

Se alguém disser a você que encontrou um unicórnio, recomendo que você leve isso a sério! Apesar de parecer uma grande brincadeira, as ‘startups’ com ideias e projetos completamente disruptivos, chamadas unicórnios, são reais e representam a revolução do mundo da saúde e vários bilhões de dólares de investimento.

Liderado pelos Estados Unidos com 26 empresas, a classificação dos 40 Unicórnios existentes no mundo é seguido pela China com 9 empresas e por fim, Alemanha, França, Inglaterra e Suíça (todas na Europa) e Israel (oriente médio), com 1 Unicórnio cada.

Valendo bilhões de dólares essas ‘health techs’ super inovadoras marcam presença no futuro da saúde.

A primeira dessa lista é a americana Samumed. Fundada em 2008, com valor atual de mercado estimado de US $12 bi, o foco dessa ‘health tech’ é desenvolver produtos para terapia de doenças degenerativas, ou seja, medicina regenerativa e oncologia.

No segundo lugar do podium está a Roivant Sciences, também americana. Com investimentos de US$ 7 bi, licencia medicamentos inovadores independentemente do seu estágio de pesquisa e desenvolvimento, acelerando a colocação dos produtos no mercado.

A medalha de bronze fica com a chinesa MicroMedical. Avaliada em US$5 bi, essa ‘health tech’ desenvolveu uma plataforma ‘online’ que conecta 2.700 hospitais e 250.000 médicos em mais de 30 províncias, alcançando o número incrível de 16 milhões usuários e mais de 580 milhões de atendimentos gerados.

A chinesa Unitedimaging, em quarto lugar, se dedica ao campo de diagnósticos. Premiada como Melhores Praticas da Frost &Sullivan da Asia-Pacifico em 2019, ela possui o portefólio completo de produtos de imagem molecular, atendendo toda a área de soluções inovadoras em diagnósticos de TI em saúde.

A quinta ‘health tech’ e primeira da lista presente no velho continente, é a alemã Ottobock, com o valor estimado em US$ 3,5 bi. Ela desenvolve produtos para mobilidade humana, infantil e adulto, como próteses, órteses, bandagens, cadeiras de rodas e produtos para neuroreabilitação.

Analisando o cenário brasileiro, também temos ‘startups’ de sucesso e merecem destaques. Veja o ranking das top 10 “health techs” nacionais: Vitta, Sanar, Memed, Labi, Dr. Consulta, CMtecnologia, Vittude, Magnamed, Sim, Consultaja.

Desafio é uma palavra que não assusta as ‘health techs’, aliás, elas os perseguem constantemente para ofertar ferramentas que gerem aderência nas novas soluções que serão fundamentais para o futuro que ainda não começou.

A percepção da mudança comportamental em várias áreas do mercado de saúde, não atendidas pelas expectativas da sociedade, é o rico campo de pesquisa e inovação para essas empresas. A tecnologia é a grande aliada das ‘startups’ de saúde para garantir informações fidedignas e acelerar o processo decisório.

O Big data, por exemplo, ajuda na construção de dados que entregarão informações confiáveis e estratégicas, a aplicação da inteligência Artificial colabora na interatividade e desenvolvimento de novas soluções que proporcionem engajamento e aproximação do relacionamento com os clientes e/ou pacientes. Sem dúvidas, a utilização de ferramentas de gerenciamento, através de plataformas interativas, facilitam, ainda, a aderência de investidores.

E a tecnologia não se limita à formatação de dados ou gestão. Elas permitem a inovação da experiência de compra e também na geração de resultados efetivos. Os ‘marketplaces’, por exemplo, ofertam produtos de diferentes fornecedores, propiciando aos clientes no ambiente digital, uma experiência mais rica e prática.

A sincronia de ‘softwares’ e ‘hardwares’ aos dispositivos médicos já estão permitindo o diagnóstico precoce de diversas categorias de doenças, além de trabalhar com prevenção e tratamento. Há ainda a conexão dos ‘wearables’ e IOT a dispositivos inteligentes e recursos digitais, que coletam e emitem dados pela Internet usando sensores, relógios e monitores.

Os modelos de negócios e conectividade estão sendo revolucionados pelo uso da nuvem para armazenamento e gerenciamento de dados, garantindo o atendimento 100% digitalizado, integrado e conectado. Constantemente monitorados pelos gestores de riscos, o universo dos ‘Clouds’ liga, regiões, hospitais, diversos departamentos de operação do sistema de saúde e médicos, de maneira rápida e consistente, garantindo a velocidade esperada pela nova Era, auxiliando, inclusive na tomada de decisão clinica.

Alguns exemplos práticos vividos pelo ‘Cloud Intelligence’, graças a integração de dados avançados, inteligência artificial e realidade virtual são: diagnóstico inteligente, atendimento e planejamento cirúrgico de altíssima precisão e navegação Intraoperatória acessível em qualquer lugar e hora, mineração de dados com as prestadoras de serviços de saúde permitindo a gestão da saúde em todo o ciclo de vida de cada paciente. O objetivo de tudo isso, ao final, é propiciar o melhor atendimento ao paciente, com o menor custo possível.

Para explorar um pouco mais sobre este rico mundo das ‘health techs’ entre o Brasil e a Suíça, recomendo conhecer o AIT (Academia – Industry Program), um programa que auxilia pesquisadores e empresários do Brasil e da Suíça no desenvolvimento de projetos para o mercado e que fomenta a cooperação, inovação e internacionalização das empresas e universidades envolvidas.

Iniciado em 2014 e organizado pela SWISSNEX, o programa já auxiliou mais de 100 empreendedores destes países. Ainda destaco, sendo a Suíça considerada o país número um, no mundo em inovação, o universo de inovação da macro-região de Basel, localizada estrategicamente entre três fronteiras, Alemanha, França e Suíça.

Basel para os alemães e Bâle paras os franceses, esta é hoje a terceira maior cidade da Suíça, com 195.000 habitantes. Fundada pelos romanos há milhares de anos e banhada pelo rio Reno, ela sempre teve e continua tendo um importante papel na navegação de navios comerciais, e considerada a capital cultural da Suíça com mais de 40 museus.

Essa importância econômica e geográfica pode ser estendida para o ‘hub’ de saúde que representa, sede dos principais laboratórios farmacêuticos do mundo, como Syngenta, Sandoz, Novartis, Roche, ETH Zurich, Synlab, Colgate-Palmolive, entre outros.

Encerro essa rica exploração deste tema tão atual, falando sobre minha experiência local e destacando o programa de atração de investimentos em tecnologias e soluções de saúde de Basel, com o qual estou tendo contato.

Através da implantação de grandes empresas médicas e farmacêuticas, além das ‘health techs’, esta iniciativa do governo local tem gerado ótimos resultados. Através de um pacote agressivo composto por incentivo fiscais (até 10 anos de isenção para as empresas que atenderem o perfil desejado), ajuda para quem investir em P&D, deduções adicionais de impostos para quem se estabelecer no hub, oferta de uma infra-estrutura de altíssimo padrão e a sua boa localização geográfica, Basel está liderando a robótica, os mecanismos de altíssima precisão e a inteligência artificial, se tornando uma líder europeia na inovação e produção das ciências da vida.

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