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Fusões e aquisições de empresas são uma das principais tendências da Saúde em 2021, aponta estudo da Deloitte

A pandemia da Covid-19 tem impactado e transformado os mais diversos segmentos da sociedade e da economia no mundo todo. No setor da saúde, ela tem colocado uma grande pressão sobre a força de trabalho, infraestrutura e cadeia de abastecimento dessa indústria. Além disso, a pandemia está acelerando a mudança em todo o ecossistema e forçando os sistemas de saúde público e privado a se adaptarem e inovarem em um curto período. Diante desse contexto, a pesquisa “Global Health Care Outlook 2021”, elaborada pela Deloitte, organização de serviços profissionais do mundo, sugere que os líderes da indústria devem aproveitar esse momento para tratar de questões setoriais urgentes: novos hábitos dos consumidores, formas ágeis de trabalhar, transformação digital, colaborações entre os ecossistemas, inovação do modelo de cuidado e mudanças socioeconômicas.

“O momento que vivemos, ocasionado pela pandemia da Covid-19, tem exacerbado deficiências e desencadeado mudanças sistêmicas em todos os agentes do setor de saúde, no Brasil e no mundo. Acesso a talentos diferenciados, tecnologia emergente e conjuntos de dados robustos, todos conectados por meio de uma plataforma para catalisar e sustentar a inovação, agora são mais cruciais do que nunca. As empresas de saúde estão respondendo a essas transformações por meio da telemedicina, aumentando as transações sem contato e os testes clínicos rápidos, todos os quais requerem olhar para fora para obter insights e recursos para acelerar, construir e lançar ofertas abrangentes”, destaca Luís Joaquim, sócio-líder de Life Sciences & Health Care da Deloitte.

Mudança no hábito dos consumidores. Os consumidores estão aprendendo sobre seus riscos para a saúde, a se comunicar com seus médicos de maneiras diferentes e mudando suas atitudes sobre a privacidade de seus dados. Eles querem conveniência, acesso e transparência em relação aos cuidados e aos custos de seus tratamentos. Cada um desses fatores tem uma influência significativa sobre como os consumidores estão sentindo e interagindo com seu sistema de saúde. O estudo global indica que houve um aumento da adoção de interações virtuais (telemedicina) – 80% dos usuários estão propensos a fazer consultas virtuais mesmo pós Covid-19.

De acordo com o relatório, as pessoas estão experimentando uma explosão de dados através de wearables (dispositivos tecnológicos “vestíveis”, como relógios, pulseiras e óculos de realidade virtual) e um número crescente de sensores “sempre ligados” em casa, no trabalho e no ambiente médico. Esses dados serão cada vez mais utilizados para insights e intervenções personalizadas e voltados principalmente para vitalidade, prevenção e diagnóstico precoce. Os consumidores esperam que os cuidados estejam disponíveis quando e como é mais conveniente e seguro para eles. Isso inclui cuidados virtuais (visitas virtuais, monitoramento remoto), entrega de prescrição em casa (encomenda de correio ou mesmo drones), diagnóstico digital e suporte a decisões, aplicativos de autoatendimento para educação, modificação de comportamento e apoio social, entre outros.

Transformação digital. A transformação digital pode ajudar as organizações individuais de saúde e o ecossistema de saúde público e privado a melhorar as formas de trabalho, expandir o acesso aos serviços e proporcionar uma experiência mais eficaz entre pacientes e médicos. Já a Inteligência Artificial (IA) está ganhando força na assistência à saúde. Antes era utilizada principalmente em automatização de processos manuais, mas a pandemia abriu portas para a IA e outras tecnologias digitais para resolver problemas clínicos e não clínicos complexos. A capacidade da IA de examinar grandes quantidades de informações rapidamente pode ajudar os administradores de hospitais e planos de saúde a otimizar o desempenho, aumentar a produtividade e melhorar a utilização dos recursos, resultando em eficiência de tempo e custos. A Inteligência Artificial também pode oferecer experiências personalizadas facilitando conversas com pacientes por meio de assistentes virtuais.

A interoperabilidade de dados permite que diferentes sistemas de informação, dispositivos e aplicativos acessem, troquem, integrem e usem os dados de forma coordenada e padronizada, dentro e fora das fronteiras organizacionais, regionais e nacionais. É um bloco de construção essencial para um sistema de saúde sem barreiras — aquele que fornece portabilidade oportuna e perfeita de informações, aproveita análises avançadas para gerar novas percepções e otimiza a saúde de indivíduos e populações globalmente. Quando implementado corretamente, pode ajudar a melhorar muito o atendimento e o empoderamento do paciente e proporcionar um sólido retorno sobre o investimento (ROI).

Healthtechs. Espera-se que alianças interessantes surjam entre as empresas de cuidados de saúde e as gigantes da tecnologia, com cada uma trazendo seus pontos fortes diferentes. Empresas de tecnologia tipicamente fornecem conhecimento digital, dados, insights de análise, experiência do cliente e grandes orçamentos de investimento. Já as entidades de saúde trazem conhecimentos clínico e de mercado e a confiança do consumidor. Atualmente, há 577 healthtechs no Brasil, que, juntas, empregam cerca de 10 mil pessoas, de acordo o Distrito HealthTech Report 2020.

Consolidação do mercado. As organizações que procuram inovar buscarão consolidação para ganhar mais capacidades, recursos e relacionamentos. As operações de M&A (fusões e aquisições) provavelmente serão necessárias para as empresas competirem neste mundo constante transformação, com a entrada de disruptores e o impulso mais amplo para que o atendimento seja prestado de uma maneira mais otimizado, equitativo, preventivo e focado no bem-estar. O mercado brasileiro registrou, em outubro de 2020, 128 fusões e aquisições no setor de saúde e higiene, que movimentaram mais de R$ 15 bilhões no mercado.

Saúde baseada em valor. As organizações devem estar dispostas a investir em modelos financeiros emergentes, como saúde baseada em valor, serviços de saúde e pagamentos capitalizados que coloquem as necessidades do paciente no centro. O foco está mudando de cuidado com a saúde para cuidado com a saúde e com o bem-estar. Mais recursos estão sendo alocados do fim da cadeia da saúde (tratamento e pós-atendimento) para o início. Haverá um maior foco na promoção de estilos de vida saudáveis, vitalidade e bem-estar, sobre prevenção primária e secundária e no diagnóstico precoce. Os modelos de pagamento baseados em valor são projetados para reduzir os gastos e melhorar os resultados. Em comparação com o FFS (Fee-for-Service), esses modelos colocam maior responsabilidade pelos resultados clínicos e de custos em organizações e/ou profissionais individuais que prestam atendimento. No Brasil, a verticalização das operadoras consegue controlar melhor os custos e investir em tratamentos mais eficientes, com menos desperdícios. Porém, ainda se tem muito que trabalhar para utilização da tecnologia que beneficie a medicina preventiva, evolua o relacionamento médico-paciente, transacione a solicitação de protocolos clínicos padronizados para medicina personalizada e construa um modelo de remuneração baseada em performance.

Forte regulação do setor. Em relação ao uso de dados e gestão de riscos, a segurança cibernética continuará a ser um problema central para provedores de nuvem e seus clientes. É necessário que as empresas estabeleçam uma estrutura de governança robusta para apoiar a gestão de mudanças e uma cultura de transformação digital, incluindo clareza sobre a propriedade de dados, segurança, consentimento e educação do paciente. No futuro da saúde, os dados serão mais amplamente compartilhados, coletados e analisados. As organizações de saúde estarão posicionadas para criar um valor a partir dessas informações anteriormente indisponíveis, usando-as para aumentar a eficiência operacional e aumentar o engajamento dos consumidores. No Brasil, todas as movimentações na indústria da saúde são limitadas a um setor fortemente regulado. A Lei nº 9.656/1998, que regulamenta a operação de planos de saúde no Brasil, prevê penalidades a serem aplicadas pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) em caso de violação de contratos de planos privados de assistência à saúde ou descumprimento da legislação do mercado de saúde suplementar. A penalidade deve estar amparada em fatores como a gravidade da infração e o porte econômico da operadora. Entre 2008 e 2020, houve um crescimento de 130% no número de ações judiciais.

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