Fique em casa X Pode vir que é seguro, por Lauro Miquelin

Fique em casa Vs. Pode vir que é seguro, por Lauro Miquelin

 

Pacientes com agravos da covid-19 estão sendo internados e pacientes com outros problemas continuam sumidos das organizações de saúde: medo do convívio. Muitos que postergam cuidados agravam ou morrem.

Governos e líderes da saúde nunca tinham lidado com um bicho como SARS COV 2, o “Mestre do Disfarce”. “Fique em casa” viralizou como uma resposta simples e errada a um problema complexo.

O desafio dos líderes da Saúde em todo o mundo será substituir “Fique em Casa” por “Pode vir que é seguro”, mensagem que traduz a razão de ser das organizações de saúde: elas existem para que tudo funcione para o convívio de todos os pacientes, com ou sem infectocontagiosas.

 

A Organização onde tudo funciona é aquela na qual todas as peças do sistema de cuidados estão alinhadas para resolver problemas do paciente e acompanhantes; e quando o problema não tem solução, o contexto promove o melhor estado possível de bem-estar.

 

Lauro Miquelin, CEO da L+M

 

Não será fácil reconstruir a comunicação. Só desmontaremos a mensagem errada explicando os ingredientes da mensagem certa. Uma palavra que parece nome de biscoito napolitano ajuda a lembrar daqueles ingredientes que fazem tudo funcionar na eficiência sistêmica: PeProCuTe. “Pe” de Pessoas, “Pro” de Processos, “Cu” de Cubos componentes do Edifício e “Te” de Tecnologias. “Pe” – Pessoas. Um líder sábio planta um “Pé” de Pessoas Feras para resolver o problema de cada paciente, cada qual com genoma e alma únicos e no tempo certo. E cuida da comunicação entre as pessoas, um dos principais dilemas do nosso tempo.

 

“Pro” – Processos

Processos, aos milhares, escondem-se no agendamento, exames, cirurgias, internações, fornecimento de medicamentos, dietas, roupas, material esterilizado etc. Gorduras e coágulos entopem os processos, como anomalias que aumentam riscos, custos, tempos de atendimento e afetam a “experiência”.

“Cu” – Cubos componentes do prédio

As principais serventias do prédio, com todos os seus componentes, é a) acolher o usuário sem estressar seu metabolismo e b) facilitar a fluidez aerodinâmica de almas e corpos nos caminhos e no uso de cada Cubo.

“Te” de Tecnologias

Equipamentos Médicos, de Infra Predial e Tecnologias de Informação e Comunicação podem acelerar a eficiência dos processos e melhorar a experiência de uso dos edifícios. Um bom líder escolherá sabiamente, sem modismos, tecnologias adequadas a sua organização.

A implantação dos hospitais de campanha mostrou exemplos da falta de conexão dos ingredientes PeProCuTe.

Poucos dias após o início da quarentena, publicamos “Diretrizes” para Design, Construção e Operação de Hospitais de Campanha. Quase uma centena de colegas arquitetos e engenheiros e gestores públicos usaram – gratuitamente – o material.

Apesar dos esforços individuais e da boa vontade de gente muito boa, a receita desandou com desperdícios intoleráveis, principalmente numa guerra: rapidez na compra emergencial – de abrigos efêmeros e equipamentos de suporte a vida – dessincronizada do cronograma de recrutamento, capacitação e aquisição de medicamentos do 1º estoque.

Distanciamento pessoal e arejamento são recomendações da época de Florence Nightingale contra os “miasmas” que amedrontavam os hospitais da Guerra da Crimeia; nossos abrigos efêmeros aproximaram demais as camas e os layouts evaporaram as janelas e a ventilação cruzada.

Acidentes elétricos graves e instalações temerárias de gases medicinais e ar condicionado viralizaram em algumas montagens, aparentemente, sem planejamento e controle.

Eficiência sistêmica é o único território para as Organizações de Saúde continuarem válidas, atendendo, com segurança, pacientes ricos e pobres nas jornadas diárias de esperança de viver no melhor estado possível de bem-estar.

PeProCuTe, biscoito com ingredientes da eficiência sistêmica, é alimento da única mensagem válida agora e sempre: “pode vir que é seguro”.

*Lauro Miquelin, sócio-fundador e CEO da L+M, empresa que se dedica a acelerar a eficiência sistêmica nas etapas de projeto, construção, instalação de tecnologias e operação das organizações de saúde. Atua como conselheiro de comitês de crise de várias organizações de saúde no combate à covid-19. É PhD em Medical Building Design & Management pela Bristol University e autor do livro Anatomia dos Edifícios Hospitalares e coautor, com José Maria Orlando, de UTIs Contemporâneas.

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