A complexidade da reforma de um grande hospital, por Siegbert Zanettini

Devido à complexidade do programa solicitado pelo Hospital Albert Einstein, foi preciso entender as importantes questões colocadas como necessidades a serem atendidas. Explicitamos, então, as questões por nós compreendidas, sintetizadas em três importantes condicionantes para o desenvolvimento do projeto.

 

Vencemos, então, a concorrência feita pela Diretoria do Hospital a cargo da Diretora Executiva de Engenharia Junia Contijo, para a realização do retrofit global externo dos edifícios da unidade o Morumbi, cujas fachadas resultavam de vários blocos feitos em épocas e autores diversos, e que apresentavam soluções diferenciadas, não constituindo a unidade arquitetônica desejada pelos diretores.

Somava-se a isso a precária condição das fachadas com esquadrias, não funcionando mais e prejudicando a insolação e ventilação de vários ambientes. O revestimento cerâmico estava despencando em placas em várias fachadas, o que também ocasionava uma séria situação de perigo.

Os anexos verticais e horizontais, junto com vários canteiros de instalações que foram sendo inseridos, conturbavam a imagem do Hospital e causava tumulto em pátios e circulações, trazendo um visual variado e desordenado.

Haviam também outras questões em conflito que precisavam de soluções formais e construtivas. Uma intervenção inadiável era o Atrium, destinado a ser o local de recepção e estar próximo à entrada principal. Tanto o restaurante quanto a lanchonete eram cobertos por antiga cobertura de duas águas na altura do 6º pavimento.

Esse local estava em estado precário pela dificuldade do acesso para manutenção e limpeza, internalizando as fachadas de vários pavimentos dos blocos A e B de internação e administrativas, deixando-os sem luz natural.

Completava o quadro de problemas a quantidade de acessos para internação, pronto atendimento, administração, restaurante e lanchonetes, assim como o acesso de veículos. A entrada principal não oferecia condições de espaço coberto para embarque e desembarque pelo grande volume de veículos e pedestres no dia a dia.

Como condicionante colocado pelos responsáveis, as intervenções não poderiam ocasionar ruído e poeira, uma vez que os ambientes internos continuariam sendo ocupados por pacientes, funcionários e público externo.

Para esse diverso e complexo desafio, apresentamos como proposta os sistemas de produção e montagem totalmente industrializados, de tal maneira que toda a execução seria externa, com entregas programadas conforme fossem sendo liberadas pelo Hospital.

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Para atender esses requisitos, desenvolvemos, juntamente com as importantes contribuições estruturais do Engenheiro Flavio D’ Alambert, um sistema estrutural de produção e montagem industrializada e integrada: enquanto fabricava-se treliças baixas para serem fixadas na altura dos peitoris de grande comprimento com poucos pontos de ancoragem nas prumadas dos pilares de concreto, montava-se na cobertura do edifício uma estrutura para içamento e fixação das mesmas e dos painéis unitizados de vidro e ACM.

Essas treliças, fixadas com pouco ruído pelas equipes de montagem, foram a estrutura para o engate dos painéis verticais unificados com esqueleto de alumínio e cobertura de vidro laminado duplo, com aberturas em “Maxim-ar” para ventilação dos vários ambientes em cada pavimento, e colocadas numa sequência programada de produção e montagem.

Nas fachadas cegas, as estruturas de alumínio receberam placas de ACM. O encontro das janelas verticais externa ou interna, do vidro e ACM e arremates de platibandas compuseram o sistema de tratamento de fachadas.

Após a retirada dos panos de cerâmica de toda a superfície, cobrimos totalmente o bloco vertical A e os blocos horizontais B para garantir um resultado limpo, funcional e uniforme para todas as fachadas externas do hospital. Uma única exceção foi o tratamento verde dado ao bloco vertical de transição entre o Bloco B e as circulares do Bloco D.

Para o desafio do Atrium, tratava-se de criar um espaço de destaque como local de recepção, encontro e estar da Instituição e que superasse o conflito funcional existente. A proposta consistiu em trazer a iluminação natural para esse ambiente envolvido por massas verticais, todas com diversas utilizações, que deveriam receber iluminação e ventilação naturais, ao mesmo tempo que não sufocassem o ambiente no térreo.

Optamos por adotar uma forma ascendente de tubos de aço que chega ao vão maior, começando com pé direito mais baixo e se elevando em curva até atingir a altura maior do 6º pavimento do bloco A apenas na sua extremidade. Dessa forma, garantimos a visão para o Atrium das circulações nos seis pavimentos.

Nele também situamos uma tela de imagem para informações, mensagens e vídeos, substituindo a informação estática dos inúmeros banners e cobrindo paredes.

O teto de vidro sobre a estrutura de tubos, já sombreado pelas massas envolventes, recebeu um tratamento externo de serigrafia constituindo de minúsculas esferas garantindo uma luz natural sombreada. O resultado foi auspicioso e se completou pelo tratamento de interiores feito pela Arquiteta Betty Birger.

A condição de acesso à entrada principal ocorria através de uma pequena cobertura de concreto e pela grande área descoberta de veículos sem tratamento ambiental e paisagístico, secundarizando-se como acesso principal e porta de entrada principal do hospital.

Optamos pela solução de adotar uma forma escultural e de destaque que ao mesmo tempo organizasse o tráfego geral e abrigasse a entrada de veículos. A forma destaca a paisagem local de dia e a noite e fornece a iluminação natural e noturna.

Juntamente com o Eng. Flavio D’Alembert, conceituamos a ideia de um paraboloide curvo que já definisse a circulação de embarque e desembarque de usuários protegidos da chuva e que pelas dimensões disciplinasse a ocupação ambiental e paisagística.

O atendimento central a essas questões foi a criação de uma forma que disciplinasse as vias de circulação e abrigasse a quantidade de veículos mais seu estacionamento em três faixas para embarque e desembarque de passageiros. Assim surgiu o design de um grande arco em curva constituído por colmeias de triângulos com estrutura tubular de aço formada de barras convergentes articuladas à nós hexagonais e com gaxetas de borracha para apoio dos painéis triangulares de vidro laminado na cor verde ray-ban.

Essa malha de arco em curva se apoia linearmente em suas arestas sobre bases. Somente no encontro dela com a superfície do auditório e sobre a marquise de concreto existente foram adotados apoios específicos junto às recepções do auditório e do hospital, dispensando qualquer outro elemento que ferisse a limpeza formal.

A especialista em iluminação Neide Senzi propôs linhas embutidas nas calçadas internas junto aos panos, resultando em um efeito noturno deslumbrante e suficiente para iluminar internamente toda a cobertura e externamente toda a praça. Foi possível organizar os acessos e o paisagismo circundante, que foi mantido, tratado e ressaltado por um painel verde artístico de minha autoria.

O uso da estrutura metálica numa tecnologia inovadora e sustentável, limpa, rápida, sem barulho e poeira, e sem canteiro de obras conseguiu um resultado que, não só agradou profundamente a Diretoria do Hospital, mas vem ocasionando mensagens de reconhecimento e aplausos pelo caminho técnico e artístico adotado.

* Artigo escrito por Siegbert Zanettini, Diretor Presidente da Zanettini Arquitetura

 

FICHA TÉCNICA

Equipe Zanettini Arquitetura

Arquiteto Responsável: Siegbert Zanettini

Arquiteto Supervisor: Thaís Barzocchini

Arquiteto Plenos: Alessandra Cagnani Salado, Natália Brazão Malateaux

Engenheiro Colaborador: Ernani Moura

Arquitetos Colaboradores: Camila Conti, Éric Fick Gonzalez, Daniel de Souza Gonçalves

Projetos complementares

– Levantamento cadastral: Metro Cúbico

– Estrutura metálica: Projeto Alpha

– Estrutura concreto/fundações: ETCPL Projeto Estrutural

– Esquadrias de vidros: Crescêncio Petrucci Consultoria e Engenharia

– Corpo de Bombeiro: Engepoint Gerenciamento Consultoria Ltda

– Conforto Ambiental: Ca2 Consultores Ambientais Associados

– Instalações Elétricas/Hidráulica: Interativa Engenharia

– luminotécnica: Senzi Ligthing

– Acústica: Sresnewsky

– Impermeabilização –Proassp

– Paisagismo: Oficina 2 mais

– Construção: Racional Engenharia ltda.

– Parceiros Fachada:

Estrutura Metálica de Fachada: SIGPER

Caixilhos: LUXALUM

Vidros: GLASSEC

– Parceiros Marquise

Projeto Estrutural: SBP

Estrutura Metálica: BRAFER

Vidros Encapsulados: AVEC

Fornecimento dos vidros: GLASSEC

*matéria publicada na edição 33 da HealthARQ.Clique aquie acesse essa e outras reportagens exclusivas da edição.

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