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“A caminho da transformação digital”, por Ricardo Costa, Datacenter Partner Manager da Dell Technologies

“A caminho da transformação digital”, por Ricardo Costa, Datacenter Partner Manager da Dell Technologies

A necessidade de transformação do modelo tradicional de cuidado ao paciente para algo mais personalizado, flexível e inteligente, tem sido uma constante nas organizações de saúde há anos.

Essa evolução podia ser controlada. Era possível planejá-la com uma relativa tranquilidade, e a velocidade era inclusive limitada pelo tempo usualmente longo de revisões das regulamentações do setor.

Com a pandemia, tudo isso mudou. As organizações foram pressionadas para a transformação em uma velocidade sem precedente, regulamentações foram rapidamente ajustadas, e toda a emergência também aumentou a receptividade por novos modelos, seja pelos profissionais de saúde, seja pelos pacientes.

Todos sabemos que uma transformação do negócio não é sobre tecnologia, mas, sem ela, o caminho é muito mais difícil e – talvez – inviável.

Não faltam casos e exemplos de transformação na saúde, com ênfase a motivadores e possibilidades, mas pouco de como torná-la real.

Ao longo do caminho, por exemplo, existem barreiras enfrentadas pela área de TI na saúde para viabilizar essa transformação.

Há dois obstáculos principais e intercambiáveis, sendo uma técnica e outra organizacional. A barreira técnica diz respeito à arquitetura do ambiente de TI, que já não é mais suficiente e acaba limitando severamente a capacidade das organizações para a transformação, seja por performance, seja por falta de integração.

A barreira organizacional, por outro lado, trata da pouca integração entre a TI e a área médica nas decisões de negócio, com decisões potencialmente desalinhadas que resultam em “ilhas” de dados e sistemas sem interoperabilidade.

Além disso, muitos projetos falham por não contarem com uma infraestrutura tecnológica adequada. Assim como a conhecida profecia da estátua de Nabucodonosor, corre-se o risco de investir em projetos de transformação com cabeça de ouro, peito e braços de prata, ventre e coxas de bronze, pernas de ferro, e pés de argila.

Outra dificuldade é que, ao avaliamos todos os setores do mercado, a saúde é a que apresenta as maiores taxas de crescimento em volume de dados. Esse volume está fora do tradicional banco de dados: são imagens, vídeos, sons, metadados e arquivos de texto, apenas como alguns exemplos.

Muitos desses dados possuem formatos padrão de mercado (ex.: DICOM), mas com seu acesso atrelado à tecnologia proprietária de cada fornecedor.

A resposta usual é a de extrair, movimentar e integrar esses dados a cada novo projeto, e essa é uma tarefa muito lenta, cara e problemática.

Os hospitais com mais sucesso na transformação são os que conseguem criar um ambiente de padrão aberto, econômico, flexível, seguro e com performance para que os dados sejam acessíveis em seus formatos originais, sem transformações ou dependências, e com inúmeras possibilidades de conexão.

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Ricardo Costa, Datacenter Partner Manager da Dell Technologies

Ao atingir isso, a organização liberta e doma seus dados, e viabiliza todas as transformações.

Por isso, quando me procuram na busca por uma transformação tecnológica nas instituições, recomendo três passos.

Primeiro, que mudem a fórmula usual de tratar provedores de tecnologia como simples fornecedores. Seu hospital passa por uma transformação por ano, mas os provedores atuam em transformações assim quase todos os dias, e essa experiência tem enorme valor.

Segundo, tecnologia não é apenas um tema da TI. Se há um departamento que toca em 100% dos processos, desde seu nascimento até o final, é a TI. A TI é o negócio. A colaboração entre área médica e TI, junto com o provedor, é um grande fator de sucesso.

Terceiro, um passo mais tangível e imediato seria iniciar pela revisão geral da arquitetura tecnológica, para modernizar o ambiente, com atenção especial à questão dos dados semiestruturados e não-estruturados. Com esses três passos, tornam-se reais as transformações no curto, médio e longo prazo.

Esse tipo de mudança, com base em projetos que pude acompanhar em outros países, e entrevistas com organizações no Brasil, o propicia inúmeras vantagens ao hospital, aos profissionais de saúde e aos pacientes. Saúde não tem preço, mas tem custo.

Que farmacêutica não gostaria de investir em uma pesquisa, ou clinical trial, de uma nova molécula para tratamento de um câncer agressivo ou doença rara, em um hospital moderno? Que seguradora de saúde não se interessaria em formar parcerias mais próximas com um hospital que, com base em dados e capacidade analítica, tenha formulado novos protocolos com alta taxa de sucesso e menor custo? Que paciente não gostaria de ser tratado em um hospital assim? Quantos talentos médicos se atrairiam para trabalhar nesse hospital?

Creio que as vantagens são muito claras, e para toda a cadeia. O escopo de possíveis transformações é muito amplo, mas, além do crescimento exponencial de serviços remotos ao longo da pandemia por motivos óbvios, há organizações ganhando capacidades analíticas muito importantes, e outras mais avançadas em medicina de precisão com patologia digital e análise genômica, para nomear alguns.

Pensando na capacidade analítica em geral, os objetivos incluem gestão de leitos e staffing, manutenções preventivas de equipamentos, farmácia (controle de insumos, otimização de estoque, diminuição de erros, etc).

Na patologia, há uma necessidade crítica de negócio: há carência de patologistas, e poucos se formando. Ao digitalizar a patologia, podemos otimizar e acelerar análises e laudos com uso de sistemas inteligentes, além de integrá-la aos demais sistemas de cuidado ao paciente.

Tudo isso gera muitos dados e depende de acesso rápido, seguro e flexível. Um ambiente tecnológico tradicional não está pronto para isso, por isso a necessidade da modernização de forma personalizada, flexível e inteligente.

Essa e outras matérias você confere na edição 76 da Revista Healthcare Management.

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