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“Com 5G e rede aberta, acesso à saúde será cada vez mais rápido e democrático”, por Giovanni Guido Cerri

Rede Open RAN vai trazer eficiência, custos menores e experiências mais positivas ao paciente

Quando se pensa em velocidade de comunicação, é comum encontrar quem compare o ambiente de conectividade em que vivemos com a notícia do assassinato do presidente Abraham Lincoln (o 16º dos EUA), em 1865, que levou mais de dez dias para chegar à Europa. Não se imagina hoje alguém esperando mais que alguns segundos para receber uma informação. Em alguns casos, mesmo alguns segundos são tempo demais. A saúde certamente é um desses casos – e exatamente por isso será das áreas mais beneficiadas não só com a chegada da conectividade 5G, mas com um outro avanço nessa área: as redes “Open RAN” (Rede Aberta de Acesso via Rádio, na sigla em inglês).

Este é um dos termos que nós, médicos, teremos que incorporar ao vocabulário de nossa profissão. Afinal, a tecnologia, hoje amalgamada aos serviços de saúde de forma irreversível, será cada vez mais presente e indispensável. E, como tal, precisa ser explicado e compreendido. OpenRAN é uma forma de universalizar o acesso à conexão em banda larga. De forma bastante sintética, é uma forma de entregar conectividade a cada assinante por uma fração do custo – ou seja: o que se vê é uma democratização ímpar para cada usuário individual.

A Open RAN torna possível para regiões mais afastadas dos grandes centros brasileiros o acesso aos benefícios da conectividade 5G: mais velozes, com menos instabilidade. Do modo como é hoje, com redes fechadas e tecnologia proprietária de cada operadora, há diferenças entre as estruturas físicas – as antenas de cada uma – que dificultam ou impedem a comunicação entre provedores. Apesar dos aspectos (extremamente) técnicos que circundam o universo da tecnologia da informação, o que se pode dizer de mais direto acerca da Open RAN é: ela vai tornar a aplicação da conectividade 5G mais ampla, mais eficiente e, sobretudo, mais democrática. Isso estimula a inovação dentro do ecossistema de tecnologia nacional (por meio das medtechs e healthtechs), acelera o desenvolvimento e a disponibilidade ao mercado – e o mais importante: colabora para melhorar a jornada do paciente e dar à população mais acesso à saúde.

Na saúde pública, o Inrad (Instituto de Radiologia), por meio do InovaHC – núcleo de inovação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) – lançou em setembro o projeto OpenCare 5G, que conta com parceiros de peso, não só da área da saúde: Deloitte, Itaú Unibanco, Siemens Healthineers, NEC, Telecom Infra Project, ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

O OpenCare 5G, após o projeto piloto realizado dentro do Hospital das Clínicas, será levado a uma cidade do interior de São Paulo; de lá, deverá ser expandido para alcançar centros regionais de apoio aos profissionais de saúde; e em seguida deverá ser levado à região amazônica – para que se façam testes em áreas do país em que a carência de infraestruturas é maior.

Os ganhos de escala, em eficiência e em qualidade do serviço prestado à população deverão deixar evidentes os benefícios da rede na forma Open RAN. Pode-se ter uma ideia – ainda que bastante incipiente – da integração da tecnologia aos serviços de saúde com a consolidação da telemedicina no país. Mas como disse, isso dá só uma ideia de como a tecnologia da comunicação pode incrementar a atividade dos profissionais de saúde. A realização de exames por imagens, a interação entre profissionais de diferentes regiões, cirurgias conduzidas de forma remota, velocidade e segurança maiores na troca e no armazenamento de informações de pacientes, diagnósticos mais precisos – esses são apenas poucos exemplos de como a velocidade 5G poderá melhorar os processos e atendimentos dentro do sistema. Com o Open RAN ainda, a democratizar o acesso, temos um cenário de revolução em potencial para a área da saúde.

A profissão médica terá de se adaptar à chegada da tecnologia, mas essa adaptação não parece carregar dificuldades ou obstáculos. Pelo contrário: ao médico, o auxílio de máquinas e da IA (inteligência artificial) nas tarefas mais “mecânicas” permitirá maior dedicação ao paciente, resultando num atendimento mais humanizado. Para o paciente, significará exames mais rápidos e precisos, atendimento mais próximo (no tempo e no espaço). E para o sistema de saúde, mais eficiência e menos custos. O Open RAN poderá vir a ser registrado na história como o primeiro passo efetivo na revolução do acesso à saúde.

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