Prevenção e Controle de Infecções Hospitalares
Prevenção e Controle de Infecções Hospitalares

 

A prevenção é a peça fundamental para evitar infecções. Desenvolvido pela Joint Commission, o Manual de Prevenção e Controle de Infecções para Hospitais aborda como identificar e compreender os riscos de infecção e estratégias e práticas para evitar que elas ocorram.

Todos os anos, milhões de pacientes vão aos hospitais para receber atenção e melhorar seu estado de saúde. Infelizmente, alguns desses pacientes são infectados durante a internação e sofrem consequências graves. Embora as infecções relacionadas à assistência à saúde (IRASs) possam ser apenas inconvenientes para alguns pacientes, para outros, podem representar risco de morte. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1,4 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem com IRASs.

Nos Estados Unidos, 1 a cada 136 pacientes hospitalizados adoece gravemente ao adquirir uma IRAS e 99 mil pacientes morrem todos os anos. As boas notícias? Grande parte das IRASs é evitável. De fato, alguns especialistas acreditam que pelo menos 20 a 30% dessas infecções podem ser evitadas.

Embora existam várias formas para interromper a disseminação de infecção em um hospital, incluindo a disseminação de IRASs, uma atividade fundamental na qual todos no hospital devem se engajar é a vigilância estruturada, proativa e resiliente.

De acordo com os Centers for Disease Control and Prevention (CDCs), a vigilância “é a coleta, a análise e a interpretação contínuas e sistemáticas de dados sobre saúde essenciais para o planejamento, a implementação e a avaliação da prática de saúde pública, intimamente integrados com a divulgação oportuna de tais dados a quem possa precisar”.

Quando conduzida de forma eficaz, a vigilância pode reduzir a probabilidade de infecção e prevenir sua transmissão a pacientes, profissionais de assistência à saúde (PASs; incluindo equipe de horário integral e profissionais independentes licenciados) e visitantes.

Esse efeito foi demonstrado em um estudo que documentou que hospitais com programas ativos de prevenção e controle de infecções (PCI) que incluíam a vigilância tinham redução de 32% nas IRASs em comparação a hospitais que não tinham tais programas. A vigilância é um elemento fundamental em um programa de PCI geral do hospital.

Ela permite que a equipe identifique potenciais riscos de infecção e áreas para melhorias, estabeleça iniciativas para reduzir infecções e monitore o progresso a fim de reduzir as ocorrências e a disseminação de infecções dentro de uma instalação. Embora todos os programas de vigilância envolvam coleta, análise e resposta aos dados sobre infecções, alguns são mais eficientes que outros.

Um programa de vigilância eficaz leva em consideração os riscos de infecção específicos do hospital e baseia-se em princípios epidemiológicos e estatísticos seguros. Cada programa tem métodos simples para coleta, manejo, análise e disseminação de dados e é capaz de lidar com novos problemas, novas tecnologias e novos desenvolvimentos no campo.

AVALIAÇÃO DOS RISCOS DE INFECÇÃO

Embora os hospitais em um país sejam semelhantes em vá- rios aspectos, cada hospital é único graças a sua população de pacientes, seu escopo de serviços, sua localização geográfica, sua diversidade de equipe e sua cultura organizacional. Por exemplo, um grande hospital universitário, na área urbana, terá fatores de risco de infecção muito mais diversos do que um hospital comunitário, de médio porte, na zona rural.

Um programa de vigilância eficaz corresponde diretamente aos riscos inerentes ao hospital. Em consequência, a primeira etapa na criação ou revisão desse programa é identificar os riscos de infecção presentes no hospital. Para isso, os prevencionistas de infecções (PIs) devem fazer uma avaliação de risco abrangente.

O QUE É UMA AVALIAÇÃO DE RISCO?

A avaliação de risco é um processo no qual uma pessoa considera os riscos associados a populações específicas, procedimentos, processos ou locais dentro de um hospital e determina o nível de estado crítico associado a esses riscos. Especificamente, uma avaliação de risco de PCI envolve revisar com atenção os riscos de infecção que poderiam causar danos a pacientes, PASs, familiares, visitantes e instituição.

Ao engajar-se nesse processo, os PASs se familiarizam com os riscos de infecção em sua organização e estruturam, portanto, seu programa de vigilância. Por exemplo, se um hospital tem diversas salas de cirurgia (SCs) onde são realizados vários procedimentos, o processo de avaliação de risco deve identificar os potenciais riscos de infecção associados aos procedimentos e à SC.

O programa de vigilância pode incluir o monitoramento de dados de infecção relacionados a esses procedimentos e um local no hospital para identificar aumentos na infecção ou monitorar os resultados de qualquer iniciativa para reduzir infecções.

COMO CONDUZIR UMA AVALIAÇÃO DE RISCO

Quando considerar os fatores de risco de infecção durante uma avaliação, o profissional deve dar atenção às características específicas do hospital, como localização geográfica, ambiente da comunidade, população de pacientes e tipo de cuidado, tratamento e serviços prestados. Em qualquer hospital, existem populações de pacientes e procedimentos médicos que são mais suscetíveis a risco de infecção do que outros.

Essas áreas podem representar locais para iniciar o processo de avaliação de risco. Outras questões a serem consideradas em uma avaliação de risco incluem:

* Tipos de infecção, inclusive organismos de importância epidemiológica

* Riscos aos PASs * Riscos de materiais e equipamentos

* Questões sobre a prontidão para emergência

* Questões ambientais

Após os riscos gerais serem identificados, os PASs devem considerar riscos mais específicos dentro de cada categoria. Por exemplo, sob uma categoria geral de “riscos aos PASs”, riscos mais específicos podem incluir acidentes com materiais perfuro cortantes, exposição à tuberculose, meningite, gripe ou outras infecções e pouca adesão à higiene das mãos.

Outro aspecto potencial de risco que a equipe do hospital deve considerar é sua infraestrutura. Dependendo do hospital, o grau de apoio da liderança para os esforços do PCI; o grau de responsabilidade do PAS para com os processos de PCI; a disponibilidade de materiais e equipamentos necessários; a limpeza adequada do ambiente físico; a limpeza, a desinfecção e a esterilização adequadas do material médico-hospitalar reutilizável; a preparação da educação e o nível de experiência do profissional; e a proporção de pacientes por profissionais podem impactar de forma positiva ou negativa o nível de infecções em um hospital.

Os PASs devem ter em mente esses riscos de infraestrutura quando executarem suas avaliações. Uma avaliação de risco deve incluir os riscos mais importantes associados à assistência, tratamento e serviços destinados aos pacientes. A avaliação não deve incluir riscos que não estão presentes.

Em outras palavras, os PASs devem evitar coletar dados sobre risco “só por precaução” ou porque outros hospitais o fazem. Por exemplo, o hospital que rastreia infecções associadas com a cirurgia de artroplastia total do joelho, mesmo que seja um tipo raro de cirurgia para esse hospital. Incluir tais elementos desnecessários em um programa de vigilância pode ser uma perda de tempo e levar a imprecisões nos dados de vigilância do hospital.

ABORDAGEM DE EQUIPE MULTIDISCIPLINAR PARA CONDUZIR UMA AVALIAÇÃO DE RISCO

Para garantir uma avaliação de risco abrangente, o líder do hospital deve formar uma equipe de pessoas familiarizadas com os vários aspectos dos riscos de infecção no hospital. Essa abordagem cria múltiplas perspectivas sobre os riscos de infecção e garante que grande parte da avaliação de risco abrangente seja possível.

Embora os membros de uma equipe de avaliação de risco de PCI variem dependendo da organização, algumas pessoas devem ser incluídas:

* Prevencionistas de infecções – pessoas que têm a responsabilidade ou estão envolvidas nos esforços de PCI dentro do hospital

* Profissionais de cuidados ambientais familiarizados com riscos de infecção no ambiente

* Equipe médica, incluindo enfermeiros, médicos e profissionais independentes licenciados

* Membros do departamento de engenharia clínica familiarizados com os riscos de infecção associados aos equipamentos médicos

* Equipe da hotelaria

* Liderança do hospital

* Contratados (se o hospital tiver um importante projeto de construção em andamento)

A equipe de avaliação de risco deve ter pessoas com conhecimento básico dos riscos em questão, assim como pessoas de áreas que possam ser afetadas diretamente por iniciativas projetadas para direcionar os riscos de infecção.

REVISÃO DOS DADOS DE AVALIAÇÃO DE RISCO INTERNOS E EXTERNOS

Como parte da avaliação de risco, a equipe deve consultar os dados internos e externos. Dados internos podem incluir informações sobre infecções relacionadas a populações especí- ficas de pacientes, procedimentos, departamentos, turnos, etc.

Os PASs também devem revisar as informações e o feedback do paciente, os dados de análise de causa raiz das infecções e dados sobre saúde dos trabalhadores. A observação direta também pode ser benéfica quando considerados potenciais riscos de infecção internos. Os membros da equipe devem observar as práticas de PCI para avaliar os riscos associados a esses processos.

Por exemplo, os dados coletados a partir do monitoramento dos processos a seguir podem auxiliar na avaliação dos riscos de infecção internos:

* Conformidade com as atividades de limpeza para o ambiente e materiais médico-hospitalares reutilizáveis

* Usar precauções de contato

* Fazer a higiene das mãos

* Usar o máximo de barreiras estéreis durante a inserção de linhas centrais

* Manter a cabeça do leito elevada para pacientes que usam ventiladores mecânicos

PRIORIZANDO RISCOS

Após coletar os dados sobre riscos de infecção, o hospital pode ter uma longa lista de questões potenciais que poderiam ser discutidas. A maioria dos hospitais não possui os recursos para discutir cada risco de infecção, por isso é essencial que os PIs priorizem os riscos.

Existem várias estratégias que os PIs podem usar para priorizar os riscos de infecção. Por exemplo, usar critérios para classificar a probabilidade e a gravidade das ameaças é uma forma de priorizá-los. Nessa abordagem, cada risco é classificado usando um sistema de escore numérico baseado em definições ou critérios.

A probabilidade ou ocorrência de um risco ou evento específico é classificada em uma escala como “alta, média ou baixa” ou em uma escala de cinco pontos Likert (concordo totalmente, concordo, não concordo nem discordo, discordo, discordo totalmente).

A gravidade do evento é, então, classificada de “extremamente grave” a “não grave”. Os valores numéricos para cada variável podem ser adicionados ou multiplicados para obter o escore total para cada fator de risco. Outra forma de priorizar os riscos de infecção é usar um método mais qualitativo, como uma análise de intervalo.

Isso envolve fazer perguntas sobre os atuais riscos e metas e determinar o intervalo entre os dois. A liderança do hospital e os PIs podem estabelecer prioridades com base na aproximação entre as questões atuais e as ideais. Seja qual for o método escolhido pela equipe do hospital para priorizar os riscos de infecção, os PASs devem sentir- -se confortáveis com seu uso.

Se os membros da equipe não compreendem os processos e os métodos para priorização, é possível que sejam propensos a adiar a avaliação para outros, em vez de serem participantes ativos. No entanto, um método e uma ferramenta de uso confortável e fácil podem estimular o envolvimento.

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