O Empreendedor e a Perenidade
O Empreendedor e a Perenidade

 

Tive a oportunidade de participar recentemente de uma discussão que me foi rica e aprendi muito com um grupo de empreendedores.
Minha tarefa era discutir o processo de perenização do resultado da ação dos empreendedores. Notei alguns traços comuns entre eles:

São inconformados – Não aquele inconformado para o qual nada é suficiente, mas um tipo de inconformado que se percebe de longe que não está satisfeito, e que está em ação, buscando alternativas e sempre buscando se superar nas descobertas que vai realizando e nas inovações que vai criando. Essa é a face mais visível do empreendedor e é também daquele que inova. É a característica do indivíduo que pró-age. Age antes, age sempre. E “quebra a cara” muitas vezes porque erra na busca do acerto. As empresas que convivem com este tipo de pessoa conseguem sempre um balanço positivo. Mas, é preciso aprender a substituir a cultura de buscar os culpados pela cultura de aprender com os erros.

Buscam entregar algo que muitos estão procurando – Aqui é a questão já clássica de encantar o cliente. Muitos de nós sabemos o que o cliente quer, mas poucos são os que conseguem encantar o cliente com uma entrega que vai além daquilo que ela buscava, mas que o surpreende por preencher lacunas de seus desejos que às vezes ele mesmo não percebia existir.

São contemporâneos – Apresentam soluções que estão maduras para serem utilizadas, pois naquele momento são necessárias. É o caso de soluções que melhoram o meio ambiente, é o caso de soluções que por serem mais eficientes permitem que mais consumidores tenham acesso, é o caso de soluções que ajudam a fazer escolhas melhores em um mundo onde existem múltiplas possibilidades de escolha e, em todas, existe tecnologia que diferencia resultados que a maioria dos mortais não consegue entender, embora possa perceber o resultado – dez ou vinte pixels?

Evoluem através de disrupções – Teve um tempo que o mundo mudava somente através das revoluções. Era um tempo duro e cheio de reais sacrifícios. Depois o mundo passou a evoluir, é o tempo da evolução. Hoje se vive um começo de uma nova era que é território de um novo tipo de pessoa e de organizações. Elas evoluem através de disrupções. São rupturas não dilacerantes, não existe uma descontinuidade total, mas uma laceração que dá oportunidade de o novo surgir. Vide tudo o que ocorreu com o advento da web. É o tempo da evolução disruptiva. Esta implica em uma ruptura com o momento anterior, que é quando se cria o novo e isto não é uma revolução, é um rompimento com a antiga ordem que evolui para uma nova posição que traz um resultado positivo para a vida do homem na terra. Esta talvez seja uma das características mais complexas de serem alcançadas, pois exige toda uma nova forma de pensar e agir.

CAMINHOS DA PERENIDADE

Se esses são os traços, como chegar à perenidade? Ela necessariamente deve ser finita em busca de uma nova inovação? Como viver e sobreviver a este paradoxo? É neste momento que entra a capacidade de criar uma organização, pois ela permitirá que a inovação tenha um espaço adequado para produzir seus efeitos e conviver com novas disrupções. As características apontadas acima dever-se- -ão juntar-se a outras. Sem ser exaustivo aponto as seguintes:

Compreender o seu tempo – De todas, esta é a habilidade que me é mais cara. Saber onde se está, enxergar o seu tempo, identificar ameaças e oportunidades, conseguir ver através do tempo e construir visões de futuro, construir utopias. Desenhar caminhos que transformam a realidade através dessa capacidade de apontar para onde ir. Sem líderes nada se pereniza e as organizações tornam- -se caóticas. Vejam que estou falando de algo que o líder deve ter e não do líder. Perceber, interpretar e agir em relação ao meio em que vive.

Negociar – O tempo atualmente move-se de maneira muito rápida e tudo está em contínua transformação. Assim, é impossível agir só. É necessário ter a noção de que as construções, as ações são fruto da ação de times que têm de agir construindo consensos dentro de um ambiente onde a flexibilidade é fundamental. Negociar é ser capaz de liderar times através da construção de vontades comuns que aceitam mudanças, que são flexíveis e permitem que o conjunto alcance o resultado esperado usando muitas vezes rotas não traçadas.

innovation

Transparência – Esta palavrinha tem ficado cada vez mais comum no mundo das organizações. Como negociar, como liderar times com uma agenda secreta? Na verdade, transparência é somente uma forma mais elegante de dizer que na organização e nos times deve existir lealdade.

Sem lealdade não há como construir coletivamente um objetivo que pelas características das organizações e de seus processos não pode ser tarefa de uma única pessoa. A complexidade destes tempos exige times e, portanto, lealdade/transparência.

Constância no propósito – Aqui se trata de valorizar a capacidade de olhar para o caminho e construí-lo realizando o exercício do planejamento e executando o que se propôs fazendo de tal forma que os passos sejam dados e os objetivos intermediários possam ser alcançados. Ou não. É justamente neste momento o plano deve ser reformulado.

A perseverança é fundamental quando a tarefa é complexa e o plano tem de dirigir a ação. A estratégia através da qual os objetivos serão alcançados faz parte da maneira de derrubar os obstáculos que se colocarão à frente da construção do alcance dos objetivos.

Aprender sempre – Da mesma maneira que o mundo está em contínua transformação, que as organizações estão em contínua transformação, nós temos que continuamente nos transformarmos. Somente o conhecimento transforma. Daí ser imperativo se estar continuamente buscando novos conhecimentos, experiências, práticas. Olhar o que o mercado está fazendo e buscar utilizar o novo para recriar, transformar, melhorar sempre.

Gerenciamento – Gerenciar é ter a capacidade de mobilizar recursos para atingir resultados. Portanto, essa capacidade é uma habilidade que envolve um conjunto de conhecimentos. Algumas vezes não os dominamos e temos de buscá-los através de experts no mercado. O importante é não deixar de usar as ferramentas que estão à disposição para diferentes problemas. O mundo organizacional moderno está repleto de ferramentas muito potentes para melhorar o resultado das organizações.

Às vezes se confundem ferramentas com modas. Não são modas, uma ferramenta somente pode se tornar obsoleta pelas transformações tecnológicas, assim o cuidado não é evitar modas e sim evitar o obsoletismo. E, nestes tempos, certamente a ferramenta mais potente é a tecnologia da informação. Não dá para ser efetivo sem o uso intensivo de TI. Mas gerenciar é atingir resultados, portanto é vital medi-los. Quem não mede os resultados que persegue, não sabe se os alcançou.

E quem não sabe se alcançou seus resultados é incapaz de saber se atingiu seus objetivos e, portanto, incapaz de saber se rompeu com a sua utopia. É tudo inútil. Certamente estes seis pontos não esgotam a questão dos requisitos necessários para a construção da perenidade, assim como os quatro primeiros apenas ilustram algumas características dos empreendedores.

Mas, creio que levam a uma reflexão sobre a importância de criarmos na sociedade um espaço que permita que viceje o empreendedorismo e também para que novas organizações consigam se tornar perenes e cumpram com o esperado papel de melhorar a vida do homem na terra.

*Gonzalo Vecina Neto é Professor assistente da FSP/USP e Superintendente Corporativo do Hospital Sírio Libanês.

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