O Desafio da Sincronicidade para Estabelecer Processos Centrados na Experiência de Pacientes e Familiares
O Desafio da Sincronicidade para Estabelecer Processos Centrados na Experiência de Pacientes e Familiares

 

Sincronicidade é um conceito desenvolvido por Carl Gustav Jung para definir acontecimentos que se relacionam não por relação causal e sim por relação de significado. Desta forma, é necessário que consideremos os eventos sincronísticos não relacionados com o princípio da causalidade, mas por terem um significado igual ou semelhante.

A sincronicidade é também referida por Jung de “coincidência significativa”.

O termo foi utilizado pela primeira vez em publicações científicas em 1929, porém Jung demorou ainda mais 21 anos para concluir a obra “Sincronicidade: um princípio de conexões acausais”, onde o expõe e propõe o início da discussão sobre o assunto.

Uma de suas últimas obras foi, segundo o próprio, a de elaboração mais demorada devido à complexidade do tema e da impossibilidade de reprodução dos eventos em ambiente controlado.

Em termos simples, sincronicidade é a experiência de ocorrerem dois (ou mais) eventos que coincidem de uma maneira que seja significativa para a pessoa (ou pessoas) que vivenciaram essa “coincidência significativa”, onde esse significado sugere um padrão subjacente, uma sincronia.

As palavras acima são apenas um copia-e-cola da Wikipedia. Ótimo, serve para estabelecer um conceito central em nossa discussão: a importância da sincronia nos processos hospitalares inter-setoriais para estabelecer uma experiência realmente centrada nos pacientes e familiares.

As instituições hospitalares ainda são extremamente setorizadas, fragmentadas, com modelos de comunicação falhos, e suportadas por sistemas de informação vocacionados para uma burocracia documental, um cara-crachá.

As agendas entre as áreas não são compartilhadas. Colaboradores ficam presos ao seu setor específico e nascem visões restritas, particulares, de qual é o melhor processo de atendimento. Resumindo, cada área dentro de um hospital (e são muitas) estabelece o seu processo interno conforme melhor lhe convém.

Neste cenário, o principal prejudicado é o paciente. Que tem que se cadastrar e apresentar seus documentos em vários locais, que percebe todos os desencontros cometidos nos horários dos serviços internos (a comida que chega quando vai para um exame, exame este que atrasa quando ele chega, assim como a consulta, a coleta do laboratório, a visita médica, a fisioterapia, etc. e por aí vai…), e que aguenta muita coisa quieto, com alto nível de tolerância, porque o que ele quer de verdade, é voltar logo pra casa, E não existe nada pior que o sujeito que, apesar de insatisfeito, fica quieto. E eles são muitos nos nossos hospitais…

Para reverter este quadro, a organização dos processos inter-setoriais (clínicos, assistenciais e administrativos) deve ser conduzida de maneira permanente, envolta no compromisso de acolher e respeitar o paciente nas suas dúvidas, nos seus horários, nos seus temores. É uma desconstrução ao modelo histórico que temos estabelecido.

Significa rever modelos de funcionamento, e mexer em algumas zonas de conforto, algo que invariavelmente, gera resistência. Uma discussão longa, desafiadora, mas inexorável.
Vamos conversando. Uma hora a gente acerta o alvo.

Vitor Ferreira

Gerente de Operações no Hospital Moinhos de Vento, tendo exercido as seguintes competências: Avaliador Líder para Acreditação ONA na Fundação Vanzolin; Consultor de Qualidade e Processos Central Nacional e Gestor de Planejamento e Processos pela UNIMED Sorocaba.