O Desafio da Liderança
O Desafio da Liderança

 

O Papel da Enfermagem nas Tomadas de Decisão

 

Em “Temas e estratégias para liderança em Enfermagem: enfrentando os desafios hospitalares atuais’, obra da Joint Commission Resources, com tradução de Ana Thorell, coloca-se em discussão o papel fundamental dos profissionais da enfermagem quanto às decisões clínicas e operacionais, na alocação de recursos, no planejamento de longo alcance e na segurança dos pacientes. Trazemos a seguir um panorama das principais ideias propostas no livro.

Devido à crescente complexidade do atendimento proporcionado pelos hospitais, os enfermeiros-líderes são, hoje, membros fundamentais da liderança hospitalar, participando nas decisões clínicas e operacionais, na alocação de recursos, no planejamento de longo alcance e na segurança dos pacientes. Com o papel central desempenhado pela enfermagem no cuidado ao paciente, os enfermeiros-líderes são agentes vitais para o funcionamento do hospital e para o atendimento, o tratamento e os serviços fornecidos aos pacientes.

Muitos enfermeiros-líderes preocupam-se, ainda, com sua capacidade para fazer a diferença na organização, bem como junto aos pacientes e à equipe. Embora a estratégia para enfrentar a escassez de pessoal em enfermagem esteja além da responsabilidade dos enfermeiros- -líderes individualmente, bem como do âmbito deste livro, “Temas e estratégias para liderança em enfermagem: enfrentando os desafios hospitalares atuais” foi escrito para ajudar todos os enfermeiros, desde os de linha de frente até os executivos, a encarar os desafios no ambiente hospitalar acelerado de hoje em dia.

Portanto, o livro concentra-se no hospital, que é o ambiente mais complexo do sistema de fornecimento de atendimento à saúde, o maior consumidor de recursos e o local onde os novos avanços no atendimento (e seus riscos associados) são mais comumente apresentados. Os hospitais proporcionam os melhores exemplos tanto dos problemas subjacentes aos desafios que o enfermeiro enfrenta como das soluções e estratégias que mais provavelmente levarão a sua resolução.

As equipes de enfermagem são as principais fontes de cuidado e de apoio aos pacientes no momento mais vulnerável de suas vidas. Muitas estratégias contidas neste livro, no entanto, dirigem-se à melhoria do local de trabalho do atendimento de saúde para todos que lá trabalham e, consequentemente, para aqueles a quem servem. Muitos enfermeiros-líderes começaram a encarar maiores responsabilidades desde que os departamentos e os serviços auxiliares passaram para o seu comando. Este livro concentra-se especificamente nos desafios enfrentados por toda a equipe que proporciona serviços de atendimento ao paciente, bem como em suas soluções.

Líderes e Coordenadores do Cuidado

Os enfermeiros-líderes continuam a assumir, no ambiente hospitalar, cada vez mais responsabilidades e a enfrentar diferentes desafios e frustrações. Os enfermeiros-líderes supervisionam o único produto dos hospitais – o fornecimento do cuidado ao paciente. Sua responsabilidade ampliada reflete a importância desse produto, e eles devem continuar seu crescimento pessoal e profissional para atender essas demandas e influenciar as decisões estratégicas na mesa executiva.

Um líder é alguém que dirige as operações, a atividade ou o desempenho de outros. Os enfermeiros-líderes são chamados por títulos diferentes: enfermeiro-chefe executivo, vice-presidente de enfermagem, diretor de enfermagem, vice-presidente para serviços de atendimento ao paciente, enfermeiro-gerente, gerente do cuidado ao paciente, coordenador do cuidado ao paciente, coordenador de enfermagem, enfermeiro encarregado e coordenador clínico, entre outros. A liderança efetiva da enfermagem é a pedra fundamental de qualquer hospital bem-sucedido, e os líderes devem demonstrar seu comprometimento com seus funcionários.

O Enfermeiro Líder como Gerente da Linha de Frente

Embora exigências explícitas nos padrões da Joint Commission detalhem as qualificações e as responsabilidades dos enfermeiros executivos, o papel dos gerentes de enfermagem da linha de frente evolui independentemente em cada hospital. Uma descrição de trabalho típica para o enfermeiro-gerente poderia ser: Planeja e implementa as políticas gerais de enfermagem e os serviços para a unidade. Mantém a equipe de enfermagem, recrutando, selecionando, orientando, treinando e retendo o pessoal clínico.

Assegura que a equipe de enfermagem esteja atualizada na competência, nas investigações, no licenciamento, nas certificações e em outros treinamentos anuais. Pode fornecer cuidado direto ao paciente e é responsável por investigar e planejar o cuidado, além de avaliar os pacientes.

Deve ser um enfermeiro com experiência clínica em um campo relacionado. Geralmente administra os enfermeiros, os técnicos clínicos e muitos outros da equipe não-clínica da organização. Conta com a experiência e o julgamento para planejar e atingir suas metas. Comunica-se com o enfermeiro-executivo. Os enfermeiros-líderes estão habilitados a determinar programas e estabelecer planos de negócios com base nas necessidades dos pacientes. Eles podem estimar como o público responderá aos vários serviços hospitalares porque com frequência interagem com membros da comunidade diariamente.

Credenciais, Educação e Treinamento

Os enfermeiros profissionais, nos Estados Unidos, geralmente recebem sua formação de enfermagem básica em um destes três tipos de programas: de diplomação de três anos em hospital, de graduação associada em enfermagem em faculdades comunitárias ou de bacharelado em enfermagem em faculdades e universidades. Embora os enfermeiros diplomados fossem maioria durante o século XX, houve um aumento considerável de enfermeiros formados em programas de graduação associada e bacharelados.

Parece haver uma grande distância entre as preferências dos enfermeiros-executivos e os padrões atuais de pessoal. A pesquisa sugere que, nos hospitais universitários de ensino, os enfermeiros-executivos preferem uma força de trabalho com aproximadamente 70% de enfermeiros preparados no nível de bacharelado, mas estima-se que, atualmente, estes atinjam uma média de 51%.

Muitos enfermeiros com diploma ou graduação associada estão voltando à universidade para prosseguir com sua educação. Cerca de 22% dos enfermeiros atualmente empregados obtiveram bacharelado ou graus mais elevados após a sua educação básica. Na categoria de administração, os enfermeiros também apresentam uma série de níveis educacionais.

Os enfermeiros- -administrativos podem ter o grau de mestre, porém muitas vezes têm bacharelado, graduação associada ou mesmo diploma de enfermagem. Além das credenciais educacionais, a experiência, os anos de prática e a educação continuada da equipe de enfermagem desempenham papel-chave no desenvolvimento do julgamento clínico e administrativo.

Parceria entre Enfermeiros e Médicos

No passado, os médicos de família freqüentemente passavam muito tempo nas rondas hospitalares dos pacientes aos quais atendiam na prática pessoal. Conheciam os pacientes, suas necessidades e seu plano de atendimento a longo prazo. Os enfermeiros na unidade envolviam-se menos no atendimento ao paciente e não se esperava que tomassem decisões complexas sobre cuidado. Nas últimas décadas, esses papéis mudaram, e emergiram modelos diferentes de formação de equipe. Embora ainda seja possível que os médicos pessoais acompanhem o atendimento de internação da maior parte dos seus pacientes hospitalizados, algumas vezes são os plantonistas que gerenciam o atendimento desses pacientes.

Os médicos de atendimento principal podem não atender regularmente os pacientes hospitalizados e talvez não os conheçam com o mesmo grau de familiaridade do passado. Os enfermeiros têm, então, responsabilidades progressivas quanto ao cuidado do paciente, à operação de equipamento médico intrincado, ao cálculo das doses complexas de medicamentos e à implementação das opções de tratamento proporcionadas pelos médicos. Esses novos papéis colocam os médicos como diretores do atendimento e a equipe de enfermagem como gerenciadora ou coordenadora dos processos de cuidado.

O trabalho de equipe entre os prestadores de cuidado – especialmente o enfermeiro e o médico – é crucial para um atendimento de alta qualidade. Os enfermeiros-executivos e administradores devem estimular e promover as fortes relações enfermeiro-médico com base no entendimento comum da prática clínica. Podem atingir isso tornando- -se um modelo para o relacionamento colaborativo e respeitoso com o médicoexecutivo. A equipe de enfermagem necessita de apoio na aquisição de relações de coleguismo com os médicos.

Visão Geral dos Desafios que Afetam os Enfermeiros-Líderes

Os administradores de enfermagem da linha de frente são, na realidade, a cola que mantém os hospitais unidos. Muitas vezes disputados por várias unidades ou múltiplas disciplinas, os enfermeiroslíderes precisam equilibrar o gerenciamento clínico e o administrativo. Os próprios limites do cuidado de enfermagem mudam continuamente, e a prática de enfermagem expande-se, incluindo áreas tradicionalmente pertencentes a outras disciplinas no esforço para a melhoria do custo e da eficácia. As mudanças nos papéis, as características dos pacientes, as contenções financeiras e as tendências clínicas estão impactando a maneira com que os enfermeiros-líderes devem planejar o cuidado.

Pode ser difícil reconhecer e aceitar essas mudanças permanentes, mas os enfermeiros devem permanecer concentrados em suas responsabilidades profissionais. Como defensores do atendimento seguro e qualificado, os enfermeiros-líderes desempenham um papel importante na transformação do sistema de atendimento de saúde. O livro descreve os diversos desafios que os enfermeiros-administradores enfrentam, tais como a escassez de pessoal, o aumento da demanda da carga de trabalho, os resultados adversos relacionados ao cuidado de enfermagem, além de orientação e treinamento adequados.

Escassez de Pessoal

Muitos hospitais estão enfrentando a tão divulgada crise atual da escassez de enfermagem, sobretudo em áreas especializadas, como a emergência e o cuidado ao paciente crítico. Embora a escassez de enfermagem varie de região para região, ela é definitivamente um problema nos Estados Unidos. O assunto, no entanto, é mais complexo do que o simples desequilíbrio entre a oferta e a demanda, pois não se limita aos enfermeiros. Trata-se de uma situação que tem recebido grande parte da atenção pública.

Os hospitais também estão sofrendo com a escassez de farmacêuticos, técnicos, terapeutas, funcionários para a limpeza e a alimentação, especialistas no serviço de informação, codificadores dos registros médicos e, em algumas comunidades, médicos especialistas e de atendimento primário.

Com base nos dados sobre as tendências da oferta obtidos do 2000 National Sample Survey of Registered Nurses, as projeções para a oferta e a demanda mostram que a escassez de enfermeiros em tempo integral, previamente projetada para iniciar em 2007, já era evidente no ano 2000. A escassez de pessoal está afetando até mesmo a imagem financeira dos hospitais. Uma organização que opta pela absorção de enfermeiros contratados ou temporários, no preenchimento de vagas, aumenta bastante seus custos trabalhistas.

A organização pode enfrentar a superlotação do setor de emergência devido à indisponibilidade de leitos, aos desvios hospitalares, ao adiamento ou cancelamento de cirurgias eletivas e à suspensão do crescimento, da expansão e do progresso tecnológico. Todas essas áreas podem afetar significativamente o hospital, a ponto de boicotarem seu credenciamento. O desafio é intensificado pelo fato de que poucos jovens escolhem carreiras na enfermagem, ao mesmo tempo que os enfermeiros experientes continuam a abandonar a cabeceira dos leitos e o ambiente hospitalar.

Esforços Nacionais para Recrutar Enfermeiros

Os esforços para melhorar a imagem da enfermagem procuram encorajar mais os jovens a escolherem a enfermagem como carreira e os adultos maduros a optarem pela enfermagem como segunda carreira. As campanhas com financiamento privado estão chamando mais atenção para a enfermagem como uma escolha viável de carreira. Por exemplo, nos Estado Unidos, a Johnson & Johnson, Inc., lançou a “Campanha para o Futuro da Enfermagem” nacionalmente em 2002.

Trabalhando com líderes do atendimento de saúde e organizações de enfermagem, como a National Student Nurses Association, a National League for Nursing, a American Nurses Association, a American Organization of Nurse Executives e a Sigma Theta Tau International, a empresa espera trazer mais pessoas para a enfermagem (incluindo homens e minorias), desenvolver maior número de enfermeiros-educadores e reter o talento já existente na profissão (http://www. discovernursing.com).

A campanha concentra seus recursos sobre o tempo de publicidade comercial, o material de recrutamento e a obtenção de fundos para os futuros enfermeiros. A campanha “Enfermeiros para um Amanhã Saudável” procura aumentar tanto o atrativo da enfermagem como profissão quanto o número de enfermeiros-educadores disponíveis para o ensino nas escolas de enfermagem e nos ambientes clínicos dos Estados Unidos.

A organização de 43 membros (incluindo a American Nurses Association, a American Hospital Association, a American Association of Colleges of Nursing, entre outras) espera inspirar uma nova geração de enfermeiros e de enfermeiros-educadores a perseguir as recompensas e os benefícios exclusivos associados à enfermagem.

A campanha inclui um site extenso na rede (http:// www.nursesource.org), contendo informação sobre a carreira, a educação e os recursos, propagandas e folhetos a serem baixados, publicações de serviços públicos e publicidade de cinema. Muitos hospitais e profissionais de enfermagem fazem parcerias com escolas de ensino fundamental e médio locais para promover a enfermagem e o atendimento de saúde como profissão, por meio das feiras de profissões nas escolas, e bem como enviando enfermeiros da equipe para palestrarem sobre a enfermagem aos grupos de escolares.

Por exemplo, o Mercy General Health Partners, Muskegon, Michigan, espera exercer uma influência precoce enviando enfermeiros para falar com crianças a partir da terceira série sobre os aspectos positivos da carreira de enfermagem.

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