Gestão Clínica
Gestão Clínica

 

Estratégias e ferramentas para enfermagem na prática

As importantes mudanças que têm ocorrido no âmbito de saúde têm exigido de toda equipe assistencial habilidades altamente desenvolvidas de pensamento crítico e raciocínio clínico. Em Aplicação do processo em Enfermagem, Rosalinda Alfaro-LeFevre, presidente do Teaching Smart/ Learning Easy, em Stuart (Flórida), destaca como a implantação de ferramentas à prática da enfermagem têm auxiliado gestores e instituições de saúde. A especialista também é membro da National League for Nursing Academy of Nursing Education Fellow.

O FUNDAMENTO PARA O RACIOCÍNIO CLÍNICO

O uso do processo de enfermagem – exigido pelos padrões nacionais de prática e avaliado no NCLEX e outros testes de certificação – é o fundamento para o raciocínio clínico. Proporciona uma forma organizada e sistemática de pensar no atendimento ao paciente.

Conforme os padrões da ANA, o processo de enfermagem é um modelo de pensamento crítico essencial para promover um nível competente de cuidado, englobar todas as ações importantes feitas por enfermeiros registrados e compor a base da tomada de decisões.

Por isso, o processo de enfermagem é o modelo que você deve aprender para “pensar como enfermeiro”. Hoje, o atendimento costuma ser comandado por prontuá- rios eletrônicos de saúde (EHR – electronic health records) e sistemas de tomada de decisão.

No entanto, ter em mente os princípios do processo de enfermagem é fundamental para o desenvolvimento de hábitos de pensamento promotores de um atendimento seguro e efi ciente no local dos cuidados (p. ex., à cabeceira). O desenvolvimento desses hábitos faz a diferença entre manter os pacientes em segurança e causar-lhes dano.

Pode ainda ser a sua defesa se, alguma vez, for acusado de negligência.Quando os juízes examinam se foram atendidos os padrões de cuidado, conferem os prontuários dos pacientes para determinar se todas as fases do processo de enfermagem – investigação, diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação – estão registrados.

A aplicação dos princípios do processo de enfermagem ajudam-no a:

1. Organizar e priorizar o cuidado de seu paciente

2. Manter o foco no que é importante – a segurança, o estado de saúde e a qualidade de vida do paciente e a forma como o paciente está reagindo ao cuidado

3. Formar hábitos de pensamento que o ajudem a obter confiança e habilidades necessárias para pensar nas situações clínicas, teóricas e de teste

4. Usar sistemas de registros eletrônicos de saúde e de apoio decisório como devem ser usados – guias que fortalecem a mente, mas que não a substituem

O processo de enfermagem é mais do que algo a orientar o planejamento formal dos cuidados e a documentação. É o que deve orientar o pensamento dos enfermeiros, cotidianamente. A cada turno, cabe-lhe investigar, diagnosticar, planejar, implementar e avaliar.

metas-de-enfermagemMETAS DA ENFERMAGEM

Um ponto de partida importante para o aprendizado do processo de enfermagem é possuir um bom entendimento das metas definitivas da enfermagem. O que nós, como enfermeiros, buscamos realizar? Você deve pensar sobre as metas de enfermagem a seguir:

 

Evitar a doença e promover, manter e recuperar a saúde (na doença terminal, a meta é uma morte tranquila); Maximizar a sensação de bem-estar, a independência e a capacidade de funcionamento nos papéis desejados (como definidos pelo paciente); Proporcionar cuidado eficiente e de baixo custo, que atenda às necessidades biológicas, sociais, espirituais e culturais do indivíduo; Trabalhar continuamente para melhorar os resultados do paciente, as práticas de cuidado e a satisfação do consumidor.

PENSAMENTO CRÍTICO VERSUS RACIOCÍNIO CLÍNICO

Os termos pensamento crítico e raciocínio clínico costumam ser usados como intercambiáveis, como fazemos neste livro. Muitos dos princípios de um e de outro são iguais. Há, no entanto, uma pequena diferença entre esses termos.

O raciocínio clínico é um termo específico, que se refere à investigação e controle dos problemas do paciente no local do atendimento – por exemplo, aplicação do processo de enfermagem à cabeceira do paciente.

Para pensar sobre outros tópicos clínicos, como a promoção do trabalho em equipe e a racionalização do fluxo de trabalho, os enfermeiros costumam usar o termo pensamento crítico. Este é um termo amplo que inclui o raciocínio clínico. Tenha em mente os elementos a seguir.

– Se baseia em princípios do processo de enfermagem, da solução de problemas e do método científico (exige formação de opinião e tomada de decisões com base em evidências).

– É orientado por padrões, políticas, códigos de ética e leis (atos individuais de prática dos Estados e comissões estaduais de enfermagem).

– Focaliza a segurança e a qualidade, constantemente reavaliando, autocorrigindo e lutando para aperfeiçoar-se.

– Cautelosamente, identifica os problemas-chave, os tópicos e os riscos envolvidos, incluindo pacientes, famílias e participantes importantes no processo decisório, bem cedo no processo. Os participantes são as pessoas mais afetadas (pacientes e famílias), ou aqueles de quem serão feitas as exigências (cuidadores, empresas seguradoras, terceiros pagantes, organizações de atendimento de saúde).

– É voltado às necessidades do paciente, das famílias e das comunidades, bem como dos enfermeiros em oferecer cuidado eficiente e competente (p. ex., racionalizar o registro para liberar os enfermeiros para atenderem os pacientes).

– Necessita de estratégias que usam o potencial humano ao máximo e compensam os problemas criados pela natureza humana (p. ex., encontrar formas de evitar erros, usando a tecnologia e vencendo a influência poderosa das visões pessoais).

COMO O PROCESSO DE ENFERMAGEM PROMOVE UM RACIOCÍNIO SEGURO E EFICAZ

Intencional, Organizado e Sistemático. Cada etapa destina-se a atingir uma finalidade específica. Por exemplo, a investigação tem como objetivo coletar os fatos necessários para determinar o estado de saúde. O diagnóstico visa analisar esses fatos para identificar os problemas e os riscos envolvidos. Como as fases orientam-no a pensar de forma sistemática e organizada, ajudam-no a evitar de perceber alguma coisa importante.

Humanístico. Baseado na crença de que devemos considerar os interesses, valores, necessidades e cultura exclusivos dos pacientes, o processo de enfermagem orienta-o a enfocar holisticamente o corpo, a mente e o espírito. Leva-o a considerar os problemas de saúde no contexto de como causam impacto na sensação de bem-estar de cada pessoa e na capacidade de ser independente.

Por exemplo, suponha que “Bob” tenha artrite grave. Você se empenha para entender como a doença tem impacto em sua capacidade de trabalhar, realizar as atividades desejadas, dormir e exercer seu papel como pai de três crianças pequenas.

Ciclo Dinâmico. Ao mesmo tempo em que as fases evoluem uma após a outra, o processo de enfermagem é, na verdade, um ciclo dinâmico. Exemplificando, quando as coisas não estão bem durante a Implementação, você retorna à Investigação, certificando-se da existência de dados mais corretos e atualizados.

Proativo. O processo de enfermagem enfatiza a necessidade não somente de tratar problemas, mas ainda de preveni-los, por meio do controle de fatores de risco e encorajamento de comportamentos saudáveis, como exercícios diários e controle do estresse.

Baseado em Evidências. Obriga a uso de julgamentos, decisões e ações baseados nas melhores evidências. Exigências de documentação exemplar garantem que tenhamos dados necessários para o controle do cuidado e para ajudar os pesquisadores a estudarem práticas de cuidado e a aperfeiçoá-las.

Focalizado nos Resultados e na Eficiência de Custos. A aplicação dos princípios do processo de enfermagem ajuda-o a entender como alcançar os melhores resultados, da forma mais eficiente e custo efetiva.

Intuitivo e Lógico. Os princípios do processo de enfermagem levam-no a admitir padrões e palpites intuitivos para, então, procurar evidências que apoiem sua intuição.

Reflexivo, Criativo e Voltado ao Aperfeiçoamento. Acentua a necessidade de avaliação contínua, exigindo que se reflita, ininterruptamente, nas reações do paciente (resultados) e em nosso processo (como prestamos o cuidado), para que sejamos capazes de fazer logo as correções. Criatividade e melhorias contínuas do cuidado de enfermagem também são importantes.

Temos que pensar de forma criativa sobre como aperfeiçoar o processo de prestar cuidado e os resultados (resultados do paciente).

Registrado de Forma Padronizada. O registro de todas as fases de formas precisas melhora a comunicação e evita erros, omissões e repetições desnecessárias. Ainda deixa uma “trilha em papel ou eletrônica” capaz de, mais tarde, ser analisada para avaliar o atendimento do paciente e realizar os estudos necessários que fazem avançar a enfermagem e melhorar a qualidade e a eficiência dos cuidados de saúde.

ETAPAS DO PROCESSO DE ENFERMAGEM

Examinemos o que você faz durante cada etapa do processo de enfermagem e a relação entre elas. Cinco etapas Segue uma breve descrição do que você faz durante cada uma das fases do processo de enfermagem:

1. Investigação. Coleta e registra toda informação necessária para: Prever, detectar, prevenir e controlar os problemas de saúde potenciais ou reais Promover a saúde ideal, a independência e o bem-estar Esclarecer os resultados esperados.

2. Diagnóstico. Analisa os dados coletados, tira conclusões e determina se existem: Riscos para a segurança ou de transmissão de infecção (lidar com eles imediatamente); Sinais ou sintomas que necessitam de avaliação de um profissional mais qualificado (comunicá-los imediatamente); Problemas de saúde potenciais e reais que exigem controle médico ou de enfermagem; Fatores de risco que exigem controle de enfermagem ou médico; Aspectos que não estão bastante claros, exigindo investigação posterior; Necessidades de aprendizado que devem ser abordadas; Recursos do paciente, pontos fortes e uso de comportamentos saudáveis; Estados de saúde que são satisfatórios, mas podem ser melhorados.

3. Planejamento. Esclarece os resultados esperados, estabelece as prioridades e determina as intervenções (ações de enfermagem). As intervenções destinam-se a: Detectar, prevenir e controlar os problemas de saúde e os fatores de risco Promover o funcionamento ideal, a independência e a sensação de bem-estar Atingir os resultados esperados de modo seguro e eficiente.

4. Implementação. Colocar o plano em ação: Investigar o paciente para determinar a situação atual – decidir se o paciente está pronto e se as intervenções permanecem apropriadas Realizar as intervenções (ações de enfermagem) Reinvestigar o paciente para determinar os resultados finais Fazer mudanças imediatas conforme necessário Registrar as ações de enfermagem e as respostas do paciente.

5. Avaliação. Fazer uma investigação abrangente do paciente para decidir se os resultados esperados foram alcançados ou se novos problemas emergiram. Decidir se modifica ou encerra o plano Planejar a investigação contínua e a melhoria permanente.

BENEFÍCIOS DO USO DO PROCESSO DE ENFERMAGEM

O processo de enfermagem complementa o que os outros profissionais de saúde fazem, focalizando tanto os problemas clínicos quanto o impacto desses problemas e dos planos de tratamento na vida dos pacientes (respostas humanas).

Por exemplo, se alguém fraturou uma perna, o médico focaliza o tratamento nos ossos fraturados, e o fisioterapeuta terá a atenção voltada às questões de promoção da força muscular e do equilíbrio.

Você, como enfermeiro, observa o plano médico de tratamento, mas concentra sua atenção na pessoa como um todo – por exemplo, como controlar a dor holisticamente, se há risco de lesão ou problema com a integridade da pele e quais são os inconvenientes encontrados pelo paciente. Esse enfoque holístico assegura que as intervenções sejam elaboradas para o indivíduo e não apenas para a doença.

HABILIDADES DIVERSAS EXIGIDAS PARA SER UM ENFERMEIRO HOJE

– Ser flexível e adaptar-se a ambientes e circunstâncias diferentes, identificando novos conhecimentos, habilidades e perspectivas necessários para a prática competente.

– Resolver problemas, pensar de forma crítica e criativa e responder a complexidades clínicas.

– Tomar decisões independentes e compartilhadas, levando em conta os custos e envolvendo os pacientes e seus familiares como parceiros.

– Obedecer aos prazos, demonstrando responsabilidade, autoestima, autoconfiança, autocontrole, sociabilidade e integridade.

– Colaborar com profissionais, colegas, pacientes, familiares e outros profissionais da saúde, cultivando habilidades de comunicação, interpessoais e de pensamento em grupo.

– Pensar de forma holística, cuidando do paciente como um todo, analisando o processo da doença e seu impacto e os problemas relacionados com os estilos de vida dos indivíduos.

– Promover a saúde por meio da educação, da investigação em saúde, da redução de fatores de risco e do controle de sintomas e de fatores causadores.

– Tomar decisões éticas, com base em princípios éticos.

– Ensinar e aprender de forma eficiente, tirando vantagem dos estilos individuais de aprendizagem preferidos.

– Investigar e responder às necessidades e aos valores dos vários grupos (p. ex., culturas, faixas etárias variadas, além daqueles com orientação sexual diferente).

– Defender os clientes, famílias e os enfermeiros, com capacidade de apresentar um caso e ouvir as necessidades dos outros, assim como comprometer-se com a promoção do acesso de todas as pessoas aos cuidados de saúde, independentemente da capacidade de pagamento.

– Liderar, supervisionar e ouvir, além de captar as necessidades dos subordinados.

– Controlar as informações, bem como organizar e manter arquivos, com o uso da informática, para auxiliar na interpretação e no processamento das informações.

– Usar a tecnologia: selecionar equipamento e instrumentos, manter e consertar equipamentos, aplicar tecnologia às tarefas e avaliar a adequação de equipamentos complexos e de custo elevado.

– Usar os recursos: empregar tempo, dinheiro, materiais, espaço e recursos humanos no desenvolvimento de programas e no oferecimento de cuidados.

– Investigar sistemas sociais e organizacionais, monitorar e corrigir o desempenho, desenvolver ou aperfeiçoar sistemas.

– Determinar o papel dos serviços comunitários na prestação dos cuidados de saúde, proporcionando apoio conforme as necessidades.

– Oferecer serviços ao consumidor, com uma compreensão clara daquilo que é importante para ele.

* Lista compilada a partir de muitos documentos sobre habilidades para o século XXI.

seguranca-do-pacienteA SEGURANÇA E A SAÚDE DO PACIENTE SÃO AS MAIORES PRIORIDADES

Posteriormente a um relatório do Institute of Medicine (IOM), To Err is Human, que afirmou que quase 100 mil mortes anuais, nos Estados Unidos, podem ser devidas a erros médicos, a segurança e o bem-estar do paciente tornaram-se prioridades importantes.

As empresas de segurança enfatizam que a redução de erros exige a mudança de “culturas da culpa” para “culturas da segurança”. Na cultura da culpa, os que cometem erros são pessoalmente culpados e ações punitivas são tomadas contra eles.

Na cultura da segurança, a ênfase está na identificação de todos os fatores contribuintes. Examinamos os erros cuidadosamente para determinar as principais causas. Por exemplo, a causa principal de erros na medicação talvez não seja um erro de conhecimento, mas uma falha no sistema, como a estocagem lado a lado de medicamentos com aparência semelhante.

Outros exemplos de problemas do sistema que contribuem para erros incluem a falta de bombas de infusão endovenosa para prevenir a infusão rápida, enfermeiros sobrecarregados ou colocados em posições que exigem conhecimento e habilidades além de sua capacidade e locais inconvenientes para a higiene das mãos.

Na cultura da segurança, quando os erros acontecem, a análise da causa principal é realizada para estudar o papel tanto do indivíduo quanto do sistema no erro. Somente assim podemos identificar estratégias e procedimentos abrangentes para prevenir futuros erros.

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