Estratégias Determinantes para Internacionalização
Estratégias Determinantes para Internacionalização

 

Quase metade das empresas “Latinas Globais” é composta por brasileiras. Um estudo da Deloitte identifica os determinantes da internacionalização bem-sucedida

No momento em que as operações empresariais se tornam cada vez mais globalizadas e dependentes de mercados externos, um estudo inédito da Deloitte acaba de identificar um padrão que se repete entre as empresas latino-americanas mais bem-sucedidas em suas estratégias de internacionalização.

O relatório “América Latina em ascensão – Como empresas da região se tornam líderes globais” descreve o ecossistema em que atuam as organizações locais e os caminhos seguidos por elas em busca da liderança global. A análise foi realizada com base nas empresas presentes no ranking da Latin Trade Top 500, que indica as maiores corporações da região, e priorizou os seguintes países: Brasil, México, Argentina, Colômbia, Chile e Peru, que, juntos, representam 86% do PIB da América Latina.

O estudo examina as principais práticas gerenciais, as competências organizacionais e os fatores de crescimento para empresas latino-americanas bem-sucedidas fora de seus mercados originais. Para a análise das informações, foi realizado um processo de seleção com as 500 empresas do ranking da Latin Trade Top 500.

O primeiro passo foi destacar empresas sediadas na região e com informações disponíveis publicamente, reduzindo a relação para 196; a partir daí, foram selecionadas 57 organizações, que representam uma métrica proporcional ao tamanho de cada país no PIB da região e ao nível de maturidade de cada economia dentro da lista com 500 empresas.

Com foco nesse universo de empresas, foi possível então definir cinco determinantes de sucesso às que conseguiram expandir suas operações para fora dos países de origem. São eles:

•Disponibilidade e retenção de altos executivos, com qualificação para conduzir expansões e operações internacionais

•Acesso a mercados de capitais e financiamento

•Liderança de mercado no país de origem

•Capacidade de realizar aquisições internacionais e joint-ventures

•Uso das principais práticas de governança corporativa

Para Anselmo Bonservizzi, sócio da Deloitte e líder da frente de Consultoria em Estratégia e Operações no Brasil, as três últimas características enumeradas acima são pontos em que as empresas podem ter maior controle, enquanto as duas primeiras costumam oferecer maiores desafios aos gestores.

“Para se globalizarem, elas precisam, de alguma forma, traçar estratégias para driblar as dificuldades, mesmo quando a capacidade de interferência direta seja limitada, como no caso do acesso a capital e a executivos talentosos. Sem uma estratégia competente em todos os cinco pontos que identificamos no estudo, dificilmente elas conseguirão sair de suas fronteiras e serem bem-sucedidas”, avalia.

Além da identificação das principais características para a internacionalização de uma empresa latino-americana, o estudo ainda dividiu as organizações abordadas em três categorias, com base na distribuição geográfica de seus ativos e no perfil de seus clientes. Essas divisões, classificadas de maneira crescente, são: Latinas Locais – empresas cujas operações estão restritas a um único país latino-americano e com poucas exportações; Multilatinas – empresas que atuam em vários países latino-americanos, mas que não têm operações significativas fora da região; e as Latinas Globais – empresas que atuam em vários países do mundo e que geram receitas significativas fora da região de origem.

“As empresas que desejam se internacionalizar devem verificar previamente se possuem todos os requisitos necessários à expansão. É importante estarem preparadas para esse passo e encontrarem impulsionadores em seu mercado para chegarem a ser Latinas Globais”, destaca Omar Aguilar, líder de Consultoria em Estratégia e Operações da região Américas e ponto focal dos EUA para o Brasil. Esses impulsionadores indicam informações sobre o potencial de uma empresa e dicas sobre como chegar ao status de Latina Global (com receitas significativas de opera- ções no exterior e uso de recursos globais).

Eles são definidos da seguinte forma:

•Motivações: as razões que levam uma empresa a se expandir internacionalmente

•Capacitações: internas e externas, que ajudam uma empresa a ter sucesso além de seu mercado original

•Estratégia: possuir uma abordadem de negócios central e integrada com os seus objetivos de expansão internacional

•Ambiente de negócios: conjunto de vantagens e desafios específicos do país, que ajudam ou prejudicam os esforços de internacionalização de uma empresa

 

BRASIL EM DESTAQUE

O estudo confirma a visão de que a América Latina deve ser vista como um conjunto de mercados individuais diversos e não como um único mercado regional homogêneo, uma vez que cada país tem suas características próprias. O Brasil é a maior economia da América Latina, responsável por 40% do PIB da região, que soma US$ 7,4 trilhões, ou 8,5% do total global.

O País possui o maior número de empresas globalizadas, abrangendo 45% das companhias que compõem o ranking Latin Trade. Já o México é a segunda maior economia, representando 21% do PIB regional e com a mesma proporção de empresas no ranking (21%).

A Argentina é a terceira, com 9% do PIB total da região, com 4% das empresas da região, captando 2% das receitas da região. Embora o Chile seja a quinta economia em termos de PIB (5%), o país tem o terceiro maior número de empresas (14%) e uma participação de 10% nas receitas da região.

Ao concentrar o foco de todas as empresas latino-americanas do estudo exclusivamente no grupo das Latinas Globais, as diferenças entre os países são ainda maiores – com 80% de todas as empresas desta categoria sediadas no Brasil (48%) ou no México (32%), as Latinas Globais desses dois países são responsáveis por 95% das receitas de todas as organizações deste tipo na região (70% e 25% para as brasileiras e mexicanas, respectivamente).

De acordo com Omar Aguilar, da Deloitte, o Brasil tem um papel importante na América Latina, devido ao seu tamanho geográfico, mercado consumidor e capacidade econômica. “Vários fatores levam as empresas brasileiras à expansão global: possuem líderes com experiência internacional, têm acesso ao mercado de capitais e recebem forte incentivo governamental, com apoio do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento)”, conclui Aguilar.

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